São Paulo
Após 17 anos de desenvolvimento, sete de atraso com relação ao cronograma, e gastos de US$ 270 milhões, o Brasil tenta novamente colocar um satélite no espaço e ser o nono país a fazê-lo com base, lançador e satélite próprios. Está prevista para hoje de manhã, no Centro de Lançamentos de Alcântara, no Maranhão, a estréia do Veículo Lançador de Satélites (VLS). Ele deverá colocar a cerca de 700 km de altitude o SCD-2A (Satélite de Coleta de Dados-2A), a versão de testes do SCD-2, o segundo satélite brasileiro.
Com um custo unitário de US$ 6,5 milhões, o VLS acomoda aproximadamente 8 km de fios e 70 mil componentes eletrônicos em 19,5 metros de altura e cerca de 50 toneladas de massa. Se tiver sucesso, ele será apresentado ao mercado espacial como uma alternativa econômica para o lançamento de satélites de 100 kg a 350 kg em órbitas de 200 km a 1.000 km de altitude. Idealizada nos anos 70, a MECB (Missão Espacial Completa Brasileira) previa para 1990 o lançamento do primeiro satélite - o SCD-1 - pelo primeiro lançador do País.
Mas o VLS foi visto por países liderados pelos EUA como um foguete militar disfarçado, o que gerou boicotes à venda de componentes, uma das causas do atraso.
Outra causa, segundo especialistas, é o próprio projeto, que prevê sete propulsores, desenhados para funcionar em quatro estágios, dos quais o primeiro tem quatro foguetes. Isso o torna mais pesado e mais complexo que os lançadores formados por menos propulsores.
O satélite SCD-1 esteve prestes a ser colocado em órbita por algum lançador estrangeiro em 1989. Seu cronograma foi retardado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São José dos Campos, orgão do Ministério da Ciência e Tecnologia.

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