São Paulo, 30 (AE) - O Fundo Monetário Internacional divulgou ontem nota sobre a quarta revisão do programa de crédito Stand-By do Brasil, permitindo ao país sacar um montante equivalente US$ 4,694 bilhões do Fundo. Veja a seguir os comentários do primeiro vice-diretor-gerente do FMI, Stanley Fischer, sobre as discussões do conselho executivo do Fundo sobre a revisão: "Os diretores executivos observaram com satisfação que o andamento da economia brasileira desde a conclusão da terceira revisão, realizada no fim de julho de 1999
ficou dentro das expectativas e que o Brasil continuou obtendo significante progresso em relação aos ajustes macroeconômicos e as reformas estruturais.
"Os diretores ficaram particularmente satisfeitos com os progressos obtidos no campo fiscal até o momento em 1999. Eles também demonstraram satisfação ao fato das projeções para crescimento em 1999 estarem levemente positivas (comparadas à queda de 1% prevista em julho) e ao das taxas de desemprego terem continuado a cair. Os diretores observaram com satisfação o fato de que, apesar da recessão na região e das grandes perdas do Brasil em termos de comércio, a conta corrente externa deve mostrar significante melhora em 1999 e ainda maior em 2000. Os diretores expressaram alguma preocupação, no entanto, com a recente alta da inflação", disse Fischer.
Reformas - O primeiro vice-diretor-gerente do FMI, Stanley Fischer, prosseguiu em seus comentários sobre as discussões do conselho executivo do Fundo, durante a quarta revisão do programa Stand-By do Brasil: "Os diretores demonstraram apoio à política econômica do Brasil para 2000, a qual pretende promover recuperação econômica sustentada e queda da inflação nos preços ao consumidor para cerca de 6% durante o ano. Os diretores ficaram satisfeitos, em particular, com o comprometimento das autoridades em elevar ainda mais o superávit primário do setor público para 3,25% do PIB e os esforços no orçamento para 2000 de ampliar a base de impostos e racionalizar as escolhas com gastos, enquanto, ao mesmo tempo, salvaguardando e melhorando as metas com gastos sociais. Observando alguns riscos para a perspectiva fiscal em 2000, os diretores parabenizaram o compromisso das autoridades de manter os desenvolvimentos fiscais em revisão contralada e de
se necessário, tomar medidas para assegurar o compromisso com as metas do programa".
"Os diretores observaram com satisfação os progressos realizados até o momento com as reformas fiscais estruturais, em particular a recente aprovação das reformas propostas na previdência para os trabalhadores do setor privado. Eles pedem às autoridades que continuem e fortaleçam os esforços com as reformas, especialmente as relacionadas à revisão dos mecanismos para preços de energia, do sistema previdenciário dos servidores públicos, à reforma do sistema de impostos e à aprovação da lei de responsabilidade fiscal".
Cautela com juros - Prossegue Stanley Fischer: "Os diretores ficaram satisfeitos com a condução do programa de metas de inflação em seu período inicial de implementação. Eles expressaram a opinião de que a política da taxa de juro precisa manter-se cautelosa nos próximos poucos meses, particularmente tendo em vista as significantes incertezas que atualmente afetam o ambiente externo e a elevação da inflação nas semanas recentes. Olhando para 2000, os diretores sentiram que em um ambiente externo mais favorável e com claros progressos no campo do ajuste fiscal e das reformas estruturais, deverá haver oportunidade para uma nova e gradual redução nas taxas de juros no curso do ano.
"Os diretores insistiram, no entanto, para que o Banco Central mantenha uma postura flexível na condução da política monetária e dê prioridade ao cumprimento das metas inflacionárias. Os diretores parabenizaram a inclusão nas propostas monetárias do programa de cláusulas de consulta com o FMI, para o caso de desvios significantes no curso do cumprimento das metas inflacionárias. Os diretores também demonstraram satisfação com a intenção das autoridades de reduzir o estoque da dívida em dólares durante o ano 2000 e de limitar suas intervenções a suaves operações no mercado de câmbio, procurando, ao invés, apoiar-se mais numa política ativa de taxas de juro ajustada as propostas de meta inflacionária", concluiu Fischer.

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