águas de São Pedro, SP, 28 - O Brasil tem uma posição estratégica no mercado mundial quanto à produção de soja não-transgênica, segundo Neil Griffiths e Jochen Koester, os criadores do selo Cert ID, que atesta a ausência de organismos geneticamente modificados nos alimentos. Eles participaram hoje do IX Seminário Pensa de Agribusiness, que acontece em águas de São Pedro, no interior de São Paulo. "Há mais demanda do que oferta por alimentos não-transgênicos e o Brasil é o único grande fornecedor mundial que ainda não aderiu às culturas modificadas", afirmou Griffiths.
De acordo com ele, pesquisa recente mostrou que 96% dos consumidores do Reino Unido não querem comida transgênica. Isso levou as principais cadeias de supermercados britânicas, como Asda, Tesco, Sainsbury e Mark & Spencer a exigir garantias dos fornecedores de ausência de transgênicos nos seus produtos. Ele disse que a Sainsbury apoiou a criação do selo e pediu sua divulgação entre fornecedores de soja como Cargill, ADM, Ceval e outros. Para as cadeias de supermercados é um problema a inexistência de um selo uniforme para os alimentos convencionais
na avaliação de Griffiths.
O Cert ID é uma joint venture entre a empresa norte-americana Genetics ID, responsável pela parte técnica, e a Law Labs, do Reino Unido, que cuida da parte legal. O Cert ID foi criado em fevereiro deste ano.
Prêmio - Os criadores do selo Cert ID acreditam que os produtores de soja brasileiros podem obter prêmios de 2% a 15% com a venda de soja convencional, se puderem dar garantias sobre isso. Eles sugerem, por exemplo, o desenvolvimento de um marketing em torno da "soja brasileira" livre de organismos geneticamente modificados aos moldes do café colombiano.
Eles estimam que o consumo de soja não-transgênica na União Européia na safra 2000/2001 atinja até 30% dos 30 milhões de toneladas consumidas anualmente no bloco, das quais 20 milhões de toneladas são de ração e 10 milhões de toneladas para alimentação humana.
Para os pesquisadores, o Brasil perderá mercado se não investir em soja não-trangênica. "Os EUA, que não separam a soja modificada da convencional, tiveram uma queda de 25% em suas exportações para a Europa no 1º trimestre deste ano e um dos motivos é que os consumidores europeus não querem os transgênicos", afirma Griffiths. Koester acrescenta que o fato de os supermercados britânicos importarem de várias indústrias de alimentos européias dificulta a entrada dos transgênicos mesmo em países europeus onde a aceitação é maior. "Para as indústrias é mais fácil só produzir alimentos livres de transgênicos do que ter de separar", acredita. Ele acredita que a Comissão Européia anuncie na próxima semana a taxa máxima permitida de organismos geneticamente modificados em alimentos certificados como não-transgênicos. "Esta taxa deve ficar em torno de 2%", estima.
Teste - O Cert ID deve construir ou adquirir um laboratório no Brasil até o ano que vem para testar amostras de soja não-transgênica, de acordo com Jochen Koester. A empresa já tem laboratório no Japão, Austrália, Reino Unido, França e Estados Unidos. De acordo com seus criadores, o selo Cert ID se responsabiliza legalmente no caso de um teste identificar a presença de transgênicos em alimentos certificados. Seu processo de certificação inclui inspeções e auditorias e atende à legislação da Comissão Européia sobre o assunto. "Há uma grande questão na Europa atualmente que é responsabilidade legal", diz Neil Griffiths.
Ele afirma que grupos ambientalistas têm feito análises laboratoriais em alimentos à venda em supermercados com o rótulo de não-transgênicos. "Quando os testes indicam a presença de organismos modificados, fazem um escândalo. Por isso os supermercados estão exigindo os certificados."

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