Apesar de o Brasil ser o oitavo mercado mundial no setor de farmácias, movimentando US$ 8 bilhões por ano, os empresários que atuam nessa área dizem não temer a concorrência de redes estrangeiras. Segundo Sérgio Mena Barreto, presidente-executivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácia (Abrafarma), o mercado nacional ainda é pequeno para despertar o interesse de grandes redes européias e norte-americanas. Ele afirma também que as redes dos países do Mercosul não têm condições de competir com as empresas brasileiras. De acordo com o estudo ‘‘Um Panorama do Varejo de Farmácias e Drogarias no Brasil’’, feito pelo economista William Saab, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Brasil é o país com a maior quantidade de farmácias do mundo.
Conforme o levantamento do BNDES, o Brasil tem mais de 50 mil estabelecimentos instalados, o que resulta em 3,34 pontos para cada 10 mil habitantes, considerando uma população de 167 milhões de pessoas. Esses números, no entanto, não são sinônimo de um grande mercado. A média de faturamento das farmácias conveniadas à Abrafarma, que representa as grandes redes, é de R$ 200 mil por mês, mas, no geral, a média fica em R$ 30 mil mensais. Enquanto no Brasil o consumo anual de remédios é de US$ 8 bilhões, nos Estados Unidos é de US$ 250 bilhões.
‘‘Em curto prazo, não acontecerá uma entrada maciça de redes estrangeiras porque nosso mercado é pequeno. A maior rede dos Estados Unidos, com 4 mil lojas, fatura sozinha US$ 20 bilhões’’, ressalta Barreto.
O presidente da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABCFarma), Pedro Zidoi, considera que o mercado brasileiro interessa às redes estrangeiras. ‘‘São mais de 50 milhões de pessoas que não são consumidoras de medicamentos atualmente, mas que, quando tiverem condições, passarão a consumir’’, ressalta. ‘‘Hoje já enfrentamos uma concorrência suicida, pois tem empresa que está vendendo medicamento com o preço do fabricante’’, reclama.
A entrada das redes estrangeiras é mencionada no estudo do BNDES como uma tendência, por conta da internacionalização da economia. Na pesquisa, é citado o caso da rede chilena Farmácias Ahumada (Fasa), que em abril do ano passado adquiriu 77% do capital da drogaria Drogamed, uma rede de 74 estabelecimentos no Estado do Paraná.
Segundo o estudo, a empresa pretende investir R$ 60 milhões no mercado brasileiro nos próximos cinco anos, buscando se expandir principalmente na região Sul do País.

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