Brasil tem maior progresso social entre os países do Brics
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quinta-feira, 09 de abril de 2015
Agência Estado 
São Paulo O Brasil alcançou o melhor Índice de Progresso Social (IPS) no bloco das economias emergentes formado por Rússia, Índia, China e África do Sul, os Brics, de acordo com uma pesquisa divulgada mundialmente ontem pela instituição norte-americana sem fins lucrativos Social Progress Imperative. Em um ranking formado por 133 países, o Brasil ocupa a 42ª colocação, com 70,89 pontos.
O indicador, que mede o progresso social diretamente, independentemente do desenvolvimento econômico, avalia as Necessidades Humanas Básicas, os Fundamentos de Bem-Estar e as Oportunidades. "O progresso social é definido como a capacidade de uma sociedade de atender às necessidades humanas básicas de seus cidadãos, estabelecer os componentes básicos que permitam aos cidadãos melhorar a sua qualidade de vida e criar as condições para as pessoas e as comunidades atingirem seu pleno potencial", explica a empresa.
Depois do Brasil, no grupo dos Brics, na segunda colocação aparece a África do Sul, que ocupa o 63º lugar no ranking maior, com 65,64 pontos. Na sequência estão Rússia (71ª colocada, com 63,64 pontos); China (92º lugar, com 59,07 pontos) e Índia (101ª colocada, com 53,06 pontos). A pesquisa mostra ainda que exceto o Brasil, cujo avanço social é mais alto do que seu PIB per capita (54º colocado no ranking), todos os Brics têm baixo desempenho no IPS, "sugerindo que, especialmente na China e na Índia, um crescimento econômico rápido não é sinônimo de melhoria das condições sociais para os cidadãos", diz a entidade.
Esta métrica do IPS, analisa o economista Sérgio Carlos de Carvalho, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é bastante útil para mostrar como um país faz a distribuição de seus bens disponíveis, diferente do que o ocorre quando o indicador é o PIB. "O Produto Interno Bruto mede o crescimento dos bens, mas para analisarmos a condição da educação, moradia e saúde é preciso indicadores que avaliem o desenvolvimento, como o Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH", explica ele, ao pontuar que o país só se voltou à discussão de formas equilibradas de distribuição da riqueza após os anos da ditadura. O período, recorda, foi antecedido por registros de elevação do PIB.
"Começamos a debater isso tardiamente. A discussão da necessidade de um arcabouço de políticas públicas para desenvolver a sociedade foi consolidada no Brasil com a Constituição Federal de 1988", assinala Carvalho.
Apesar de na média o Brasil estar bem colocado no ranking, os resultados desagregados de progresso social mostram que o País aparece em 62º e 122º lugares, respectivamente, nos quesitos educação superior e segurança social.
Segundo a instituição, o perfil apresentado pelo Brasil demonstra desafios-chave para o progresso social nos próximos anos. "Na dimensão de necessidades humanas básicas, o País deve trabalhar especialmente em segurança pessoal, e também em ar, água e saneamento, nutrição e cuidados médicos básicos e moradia", afirma.
"Em fundamentos de bem-estar, o Brasil precisa endereçar questões em acesso a cuidados médicos de qualidade e preservar o bom desempenho em sustentabilidade dos ecossistemas. Na dimensão de oportunidades, o País deve melhorar os índices relacionados ao respeito às mulheres e acesso à educação superior", completa a pesquisa.
O país mais bem colocado no IPS é a Noruega, com 88,36 pontos, seguido da Suécia (88,06) e da Suíça (87,97 pontos). já na parte de baixo da tabela, com o pior índice de progresso social entre os 133 países analisados, aparece a República Centro-Africana (31,42 pontos), seguida do Chade, também na África (33,17). (Colaborou Antoniele Luciano)


