Brasil tem aumento de doenças ligadas à saneamento precário
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de março de 2004
Agência Estado 
Rio - A saúde da população brasileira estaria em condições muito melhores se houvesse sistema de saneamento básico mais eficiente. Os números divulgados pelo Instituto Brasileiro Geografia e Estatística (IBGE) comprovam isso. Em 2000, foram registrados 832.175 casos de seis doenças diretamente ligadas à má qualidade da água e à falta de esgoto - dengue, malária, hepatite A, leptospirose, tifo e febre amarela.
As mortes provocadas por diarréia foram 5.489, das quais 3.278 de crianças de menos de 5 anos. Pernambuco apresentou os dados mais graves de morte de crianças por diarréia, com 421 óbitos.
De Norte a Sul do País, cada doença tem uma área mais crítica, como mostra o Atlas de Saneamento lançado hoje na sede do IBGE. Dos 428 mil casos de dengue, 16% aconteceram no Rio de Janeiro. Entre os 389 mil registros de malária, 48% concentraram-se no Amapá. Goiás teve 53 dos 85 registros de febre amarela.
Concentraram-se no Rio Grande do Sul os casos de leptospirose, com 987 do total de 2.663, mas a análise por municípios revela que o primeiro lugar ficou em São Paulo, com 242 casos.
O IBGE fez um estudo de caso sobre a leptospirose, doença transmitida pela urina de rato e que se agrava depois de inundações. O estudo permitiu uma comparação com anos anteriores. O total de óbitos, que havia diminuído de 396 para 330 entre 1998 e 1999, voltou a crescer no ano seguinte, chegando a 377. É um número bem menor, porém, que os 455 óbitos registrados em 1996.
A região metropolitana de Recife apresentou um quadro grave, segundo o geógrafo Jorge Kleber Teixeira, responsável pela análise das chamadas ''doenças de veiculação hídrica''. Dos 20 municípios com maior número de mortes por leptospirose em 2000, seis ficam na Grande Recife. A capital pernambucana é a recordista, com 21 óbitos. Jaboatão, Olinda, Camaragibe, Cabo de Santo Agostinho e Escada também registraram mortes pela doença.
''A Grande Recife é um caso típico de necessidade de interferência direta do poder público'', diz Teixeira. Embora tenha sido o campeão em número de casos registrados, o município de São Paulo teve 11 mortes e ficou em 11º no ranking dos óbitos.
Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco, que se destacaram pela grande incidência de casos de diferentes doenças ligadas ao saneamento deficiente, são alguns dos que mais sofreram com inundações e enchentes entre 1998 e 2000.
As enchentes influenciam a proliferação de mosquitos, como no caso de dengue, malária e febre amarela ou de consumo de água contaminada, que provoca hepatite A e tifo. ''No planejamento das cidades, o sistema de drenagem é um item fundamental no calendário de obras e saneamento. Os sistemas de drenagem têm por objetivo o escoamento rápido das águas das chuvas, visando a segurança e principalmente à saúde da população'', diz o estudo do IBGE.


