Brasil tem 7,4 milhões que 'viajam' todo dia
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sexta-feira, 27 de junho de 2003
Luciana Nunes Leal<br> Agência Estado 
Rio - A primeira pesquisa sobre deslocamento entre municípios feita no Brasil revela que 7,4 milhões de pessoas trabalham ou estudam fora das cidades onde residem, o que indica um fluxo intenso e em geral diário nas regiões metropolitanas, principalmente do Sudeste.
Na região metropolitana de São Paulo, das 11,7 milhões de pessoas que trabalham e estudam, 1,1 milhão (10%) desloca-se para outras cidades. Osasco é a cidade que mais ''exporta'' trabalhadores e estudantes no Estado e a terceira maior ''exportadora'' no País, com 116.700 pessoas deslocando-se no cotidiano. São Paulo capital está em quarto lugar no ranking nacional, com 114.400 pessoas que saem de seus municípios para trabalhar ou estudar.
São Paulo é o Estado que tem o maior número absoluto de pessoas que trabalham ou estudam fora de suas cidades 2,1 milhões, ou 9% do total de paulistas que trabalham e estudam. O Rio de Janeiro vem em seguida, com 980 mil pessoas nessa situação (percentual ainda maior, de 10,6% da população estudante e ocupada). Os dados são da pesquisa Migração e Deslocamento, divulgada ontem e feita com base nos números do Censo 2000.
O total de trabalhadores e estudantes que têm empregos e estudam em outros municípios representa 6,7% do total de brasileiros que trabalham e estudam, mas os técnicos do IBGE que fizeram o levantamento chamam atenção para o fato de que são informações importantes para elaboração de políticas de integração urbana e de transportes, pois existem pontos de altíssima concentração desse tipo de deslocamento, como Rio de Janeiro e São Paulo.
Duas cidades fluminenses, São Gonçalo e Nova Iguaçu, são as que têm maior número de pessoas que saem de seus municípios para trabalhar e estudar. A capital paulista tem a curiosidade de ser tanto ''exportadora'' quanto ''importadora'' de trabalhadores e estudantes. Embora a pesquisa só tenha investigado as pessoas que saem de suas cidades, o pesquisador do Departamento de Geografia do IBGE Wolney Menezes diz que, além de receber muitos trabalhadores da região metropolitana, a capital também manda muitos empregados para a área do ABC, por causa da concentração de indústrias.
A maioria (72%) se desloca para outro município para trabalhar, 18% para estudar e 10% para fazer as duas atividades. Noventa por cento vão para municípios dentro de seus próprios Estados e 9,1% desloca-se para trabalhar e estudar em outro Estado.
Um grupo de 52 mil pessoas revelou que trabalha ou estuda em outro país, apesar de se considerar residente no Brasil. Deste total, 10 mil são moradores da cidade de Foz do Iguaçu. ''São pessoas que vão trabalhar no Paraguai'', diz Wolney Menezes.
Menezes estudou o caso da cidade campeã de deslocamentos e descobriu que as pessoas que se deslocam para trabalhar em outros municípios são mais bem remuneradas do que as que moram e trabalham em São Gonçalo. As que trabalham no Rio têm renda mediana de R$ 521 e os que ficam na cidade natal ganham em média R$ 300.
O mesmo acontece na cidade do Rio: o carioca que trabalha na própria cidade tem R$ 450 de renda mediana, o que vai para Niterói recebe R$ 800 mensais e o que trabalha em São Gonçalo chega a R$ 920. Moradores de Niterói que trabalham no Rio alcançam R$ 1.200 de salário mediano, enquanto na própria cidade ficam com R$ 400 mensais.


