Brasil tem 5,7 milhões com curso superior
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quarta-feira, 03 de dezembro de 2003
Das Agências 
Rio de Janeiro - Entre os brasileiros com 25 anos ou mais apenas 6,8% concluíram o curso superior. Os que completaram mestrado ou doutorado são 0,4%, mostra pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base no Censo 2000. Mesmo assim houve um avanço na década de 90 (ver tabela ao lado).
Em 1991, apenas 5,7% dos brasileiros com 25 anos ou mais tinham curso superior completo. Houve, portanto, um aumento de 19,3% na proporção de pessoas com diploma universitário nesta faixa etária. Em números absolutos, eram 3,86 milhões em 1991 e 5,78 milhões em 2000. A proporção de mestres e doutores dobrou: em 1991, eram 0,2% do total da população de 25 anos ou mais.
O número de pessoas com curso superior completo no País, independentemente da idade, era de 5,9 milhões (3,43%) em 2000 e de 4 milhões em 1991. Os mestres e doutores, de qualquer idade, passaram de 147 mil para 304 mil.
Se o acesso à universidade é restrito para a população em geral, para o negro é um caminho ainda mais difícil. Um em cada dez brancos com 25 anos ou mais de idade conclui a universidade. Entre os negros, a proporção é cinco vezes menor: um em cada 50 negros brasileiros tem curso superior completo.
''Na educação, se reproduz a sociedade de castas que a gente vive no Brasil. Nunca se pensou, desde a abolição da escravidão, em uma forma de integração no negro, a população carrega uma bagagem negativa desde que nasce'', diz o cientista social e pesquisador do Departamento de Indicadores Sociais do IBGE José Luiz Petruccelli, defensor do sistema de cotas para o ingresso de negros e pardos nas universidades.
''As cotas são uma tentativa de tratar de forma desigual o que é desigual. É claro que tem que melhorar a escola pública, mas vamos esperar que isso aconteça e não ter cotas?'', acrescenta Petruccelli.
A composição racial da população geral não se reflete no universo dos que têm diploma universitário. Enquanto os brancos são 53,7% da população, entre os que concluíram o curso superior, são 82,8%. Negros e pardos, que somam 44,7% dos brasileiros, são apenas 14,3% no universo dos que têm diploma universitário.
Numa análise de cada grupo étnico, é possível ver que os orientais conseguem mais acesso à universidade: se, no total do País, a taxa de graduados é de 6,4% (população com mais de 25 anos), entre os amarelos a proporção é de 25,7%.
O Censo também mostra a concentração regional do saber no Brasil: a região Sudeste tem 59,7% dos diplomas de nível superior, uma proporção maior que sua população (42,6% do total do País). São Paulo, o Estado mais rico da federação, tem 34,5% dos diplomas e 21,8% da população. O desequilíbrio se repete no Rio de Janeiro, que tem 14% dos diplomas e 8,4% da população.
Já o Nordeste, onde vive 28,1% da população do País, tem apenas 14,1% dos diplomas de nível superior.


