Cerca de 56 milhões de brasileiros estão infectados pelo Mycobacterium tuberculosis, a mais frequente bactéria causadora da tuberculose. Entre 10% e 20% desse universo desenvolve a doença.
A informação foi dada por Antônio Ruffino Netto, coordenador nacional de Pneumologia Sanitária do Ministério da Saúde, que ontem participou no Rio do seminário ‘‘Tuberculose, a Idade Média no Século 21’’.
O encontro discutiu a reincidência da doença no país e no mundo, onde a tuberculose teve triplicado seu número de casos nos últimos 30 anos. A estimativa do Ministério da Saúde é que 129 mil casos surjam por ano - desses, 89 mil são registrados -, o que coloca o Brasil na décima posição do ranking de maior incidência da doença.
A Aids é uma das responsáveis pelo recrudescimento no país da tuberculose, que age como uma doença oportunista (que se desenvolve com a baixa imunidade do organismo causada pela Aids).
Mas não é o único fator. ‘‘Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a desigualdade social e a desorganização do serviço da área de saúde são alguns fatores importantes para o aumento da incidência’’, diz Ruffino Netto. Não é por acaso que, segundo a própria OMS, 95% das mortes causada pela tuberculose sejam registradas no Terceiro Mundo.
O Mycobacterium tuberculosis, segundo o Ministério da Saúde, causa mais mortes no mundo do que qualquer outro agente infeccioso. As mortes por tuberculose representam 25% das mortalidades evitáveis nos países em desenvolvimento.
O Rio é o Estado com maior incidência de tuberculose no Brasil. São 111 casos novos por cada grupo de 100 mil habitantes. O Rio também é o Estado que registra a maior taxa de mortalidade por causa da doença. São 10,2 por 100 mil habitantes, cerca de 60% a mais do que Roraima, que ocupa o segundo lugar.
Em 1995, o governo criou um plano emergencial para controlar a tuberculose em 230 municípios, descobrir 90% dos casos e curar 85% deles. O Ministério da Saúde estuda criar, ainda este ano, um segundo plano emergencial que cubra o país inteiro.
Convênio Ontem, estava prevista a assinatura do Pró-Saúde, um convênio de R$ 30 milhões entre os ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia para combater as doenças infecto-parasitárias emergentes e reemergentes e as crônico-degenerativas (câncer e doenças cardiovasculares). Como os ministros José Serra (Saúde) e Israel Vargas (Ciência e Tecnologia) ficaram em Brasília e só mandaram representantes ao Rio, a assinatura do convênio foi adiada.

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