Curitiba O Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos (Idum) lançou ontem a Campanha Nacional pelo Acesso aos Medicamentos. A campanha que passou pelos municípios de São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto e Curitiba pretende conscientizar a população brasileira sobre a necessidade da criação de uma política nacional que solucione o problema de mais de 50 milhões de pessoas que atualmente não têm acesso aos remédios. Segundo o farmacêutico Antônio Barbosa, coordenador da campanha nacional, cerca de 30% das internações nacionais em hospitais decorrem de tratamentos não completados por falta de medicamentos.
''Além dos altos preços dos remédios, a população sofre com a falta de orientação. Temos que fazer os governantes perceberem que é muito mais importante salvar vidas do que manter o mercado da indústria de marca, que detém a maior parte do mercado nacional de medicamentos'', declarou ele. Barbosa salientou que mais de 50% das verbas destinadas pelo governo federal aos estados e municípios são desviadas e acabam não fazendo com que a população tenha acesso gratuito aos remédios.
Apenas 0,01% do consumo de medicamentos no Brasil estaria sendo realizado através de farmácias populares que têm preços mais acessíveis.
Outro problema, segundo Barbosa, é que cerca de 43% dos doentes suspendem a medicação por falta de dinheiro. Quinze por cento das compras nem mesmo seriam planejadas. Por esse motivo, uma a cada quatro pessoas acaba sendo influenciada pelo atendente da farmácia que nem sempre é um farmacêutico. ''Os resultados são desastrosos. Duas mortes foram registradas nos últimos anos por uso incorreto de medicamentos. A cada 25 minutos, uma pessoa se intoxica pelo uso inadequado de remédios'', ponderou ele. No Brasil existem 400 laboratórios e mais de 60 mil estabelecimentos que vendem produtos farmacêuticos.
O procurador Marco Antônio Teixeira, do Centro de Apoio às Promotorias de Saúde, enfatizou que a Lei Orgânica da Saúde (lei federal 8090) no artigo 6º diz que o governo federal é responsável pela assistência terapêutica e farmacêutica integral aos brasileiros. ''Na prática quer dizer que se eu for atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) terei que conseguir gratuitamente o medicamento nas farmácias do governo. Isso é um direito meu e o governo não está me fazendo um favor. Não é uma doação. Os brasileiros pagam por este direito com o dinheiro dos impostos'', esclareceu o procurador do Ministério Público (MP) estadual.

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