O Brasil tem 49,6 milhões de pessoas vivendo na miséria, o que representa 29,3% da população. São brasileiros considerados indigentes porque têm renda mensal inferior a R$ 79 por mês - mínimo necessário para o consumo de uma pequena cesta básica, segundo parâmetros da Organização Mundial da Saúde. A miséria absoluta dessas pessoas poderia ser erradicada se o governo federal destinasse R$ 1,7 bilhão mensais para ações de combate à pobreza. Esse diagnóstico é resultado de um estudo divulgado ontem, no Rio, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas. A pesquisa foi feita com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad ), entre 1996 e 1999, e em informações coletadas pelo Censo de 2001.
O ‘‘Mapa do Fim da Fome’’ calculou o total de miseráveis e o custo da erradicação da pobreza em dez Estados brasileiros e nas áreas metropolitanas de algumas das maiores cidades do País.
‘‘Queríamos saber quantos eram os miseráveis e quanto de renda cada pessoa precisava ter a mais para sair da indigência’’, afirma o coordenador do estudo e economista-chefe do Instituto Brasileiro de Economia, Marcelo Neri. A conclusão foi que cada brasileiro e situação de miséria precisaria de uma média de R$ 34 para atingir o mínimo de R$ 79 por mês para ter um consumo de calorias aceitável internacionalmente. Isso representaria um gasto mensal de R$ 10, 4 por brasileiro se todos contribuíssem, totalizando R$ 1,7 bilhões. ‘‘Mostramos que a erradicação está perfeitamente dentro do orçamento social do governo que é de 21% do Produto Interno Bruto (PIB )’’, explica Neri.
O estudo mostrou que dependendo da região do País, a contribuição pode variar. O Nordeste, como já era esperado, é o local que mais exige investimento, enquanto o Sul e o Sudeste são as áreas onde seriam necessários gastos bem menores. São Paulo é o Estado em que os moradores precisariam desembolsar a menor quantia. São necessários R$ 4,15 por paulista para diminuir o índice de indigentes (11,5% da população). E o Piauí é o que exige maior participação: R$ 24,40 para tentar tirar da miséria 61,3% dos habitantes.
O estudo da FGV não está ligado a políticas específicas de combate à fome, mas o coordenador da pesquisa sugere formas de resolver o problema das 49,6 milhões de pessoas.

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