No Brasil há 16 milhões de hipertensos adultos, embora a doença atinja também as crianças. Para agravar a situação, apenas 30% dos médicos medem a pressão dos pacientes quando em consulta, e grande parte dos aparelhos, usados para tal, estão descalibrados. De acordo com o médico Décio Mion Júnior, da Unidade de Hipertensão do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo e professor da Universidade de São Paulo (USP), a doença é de origem genética e não tem cura. ‘‘Entretanto, com o tratamento adequado, é possível evitar complicações como o derrame, o infarto e a paralisação dos rins’’, alerta.
Mion Júnior foi um dos coordenadores do Seminário Programa Nacional de Atualização em Mapa, que terminou no fim de semana em Santos (SP). O evento foi patrocinado por Bristol Myers Skibb Brasil, Omron e Cardio Sistemas.
DiagnósticoO professor Mion Júnior diz que os médicos precisam mudar postura e passar a verificar a pressão dos pacientes nos consultórios. Mais ainda: que calibrem os aparelhos de seis em seis meses, de modo a poder diagnosticar o mal adequadamente. Ele entende que a melhor maneira de se identificar a hipertensão é por meio da monitorização (acompanhamento e avaliação) do paciente, usando-se um aparelho que mede a pressão arterial por 24 horas.
‘‘O mapa oferece a possibilidade de diagnóstico da hipertensão, sem o perigo de ocorrer o fenômeno conhecido como avental branco, pois muitas vezes a pressão do paciente sobe na presença do médico’’. Mion Júnior destaca ainda que, em termos de tratamento, a realização desse mapa é extremamente importante, porque poderá se verificar, com certeza, se o remédio ministrado está controlando a pressão por 24 horas.
‘‘O Dyna-Mapa é um aparelho confiável e oferece toda a avaliação’’, menciona. O custo do equipamento é de aproximadamente R$ 3 mil e o valor a ser pago pelo paciente, por exame, gira em torno de 100 a 200 reais. ‘‘Alertamos os médicos para medir a pressão e, se necessário, fazer o monitoramento’’, justifica Mion.
PrevençãoPara prevenir a hipertensão, o paciente deve, em primeiro lugar, medir periodicamente a pressão arterial, a partir dos 18 anos de idade. Fora isso, Mion Júnior aconselha que todos tenham uma vida saudável. ‘‘É preciso fazer exercícios regularmente, não exceder no peso e no consumo do sal e da bebida alcoólica, além de parar de fumar e reduzir gorduras saturadas.’’
O médico esclarece que a pressão alta é uma doença traiçoeira e chamada de assassina, por ser assintomática. ‘‘Ela é democrática, ataca a todos, indistintamente, mas é mais frequente no negro, no idoso e no obeso.’’ Ele conta que muitos escravos, quando vieram para o Brasil, morreram durante a viagem, por diarréia. Aqui, foram selecionados os ‘‘sal-sensíveis’’, isto é, aqueles que comem sal, retêm líquidos no organismo e a pressão sobe.

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