Brasil tem 13,5 milhões de idosos, número deve dobrar em 2020
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 10 (AE) - O número absoluto de idosos no Brasil é um dos maiores do mundo: 13,5 milhões. De acordo com a pesquisa Síntese de Indicadores Sociais, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as pessoas com 60 anos ou mais representam 8,7 % da população do País. Projeção do IBGE mostra que em 2020 o número de pessoas com 60 anos ou mais deve dobrar, chegando a 27 milhões. Em países desenvolvidos os idosos são mais de 15% da população.
"Isso muda não só o perfil da previdência mas também o da saúde", afirmou o diretor do Departamento de Pesquisas do IBGE, Luiz Antônio Oliveira, um dos organizadores da pesquisa. A redução das taxas de mortalidade e fecundidade e o consequente aumento da expectativa de vida são os principais responsáveis pela alteração da estrutura etária da população, segundo análise dos técnicos do IBGE.
Enquanto na década de 70 a média de filhos por mulher era de 5,76, em 1996 esse número caiu para 2,24. Quanto menos instruídas as mulheres, maior o número de filhos. Entre as de mais baixa instrução, a média é de 3,4 crianças, contra 1,7 para as mais instruídas. Há diferenças também por regiões. No Nordeste, a média chega a 3 enquanto no Sudeste, não passa de 2. A disparidade, no entanto, diminuiu muito. Nos anos 70 a média no Nordeste era de 7,5 para 4,5 no Sudeste."A queda é generalizada em todas as classes e regiões", disse Oliveira. "E a tendência é irreversível."
A taxa de mortalidade infantil também caiu muito. Na década de 80, para cada mil crianças nascidas no País, cerca de 75 morriam antes de completar um ano de vida. Em 1996, o número de mortos era de 37 em mil. A diferença entre as regiões, no entanto, permanece alta. Em alguns estados do Nordeste, como Alagoas e Paraíba, os indicadores revelam uma mortalidade próxima à da década de 80: 70 por mil. A disparidade pode ser explicada não só pela pobreza da região, mas também pela desigualdade no acesso aos serviços de saúde, má qualidade do atendimento médico e por carências de saneamento básico.
Em média, a expectativa de vida do brasileiro é de 67 anos e oito meses. As mulheres, no entanto, vivem bem mais do que os homens. São 71 anos e sete meses para elas contra 64 anos e um mês para eles. Na região Sudeste, essa diferença é ainda maior: 73 anos e sete meses para as mulheres e 64 anos e seis meses para os homens. A razão para isso, segundo os técnicos, é a violência urbana, que vitima mais pessoas do sexo masculino.
A pesquisa mostra ainda que a grande maioria dos idosos (85%) vive com algum parente e apenas uma pequena parcela (11 6%) mora sozinho ou com pessoas com as quais não tem nenhum laço de parentesco.


