Brasil Telecom formalizará no próximo mês compra de ações da CRT
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Roberto Cordeiro 
Brasília, 17 (AE) - O presidente da Brasil Telecom (ex-Tele Centro Sul), Henrique Neves, informou hoje que a compra de 85,19% das ações ordinárias da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) só deve ser concretizada no próximo mês. Segundo Neves, está sendo negociado se a BT adquirirá apenas as ações da operadora gaúcha ou se vai comprar a empresa Tele Brasil Sul (TBS), dona das ações da CRT. Neves explicou que a TBS tem um contrato de gestão da companhia telefônica que lhe assegura 1% da receita líquida a cada ano.
A BT defende que a TBS dê garantias sobre eventuais passivos da CRT. Segundo Neves, existem alguns contratos da CRT que precisam ser melhor avaliados, como por exemplo, o centro de atendimento (call center), cujo o serviço é prestado pela Telefônica, sócia da TBS. Outra questão apontada pelo executivo da BT diz respeito à cisão, ocorrida no ano passado, das operações de telefonia fixa e de celular da CRT.
"Queremos saber quais são as garantias com relação a eventuais passivos", disse Neves. "O importante é que retomamos as negociações com o banco indicado pela TBS." A compra das ações da CRT está avaliada, segundo o mercado de telecomunicações, em US$ 850 milhões. Hoje Neves não quis confirmar se este é o preço que vem sendo negociado com o Credit Suisse First Boston Garantia, instituição financeira que administra os papéis da TBS. Porém, Neves admitiu que se a BT acertar a compra da TBS - cujos sócios são Telefônica, Portugal Telecom fixa, Iberdrola, Bilbao Vizcaya, RBS e as companhias de telefonia da Argentina e do Chile - o preço pode ficar acima do valor negociado.
Acordo - A venda do controle acionário da CRT é determinada pela legislação brasileira de telecomunicações que não permite que um mesmo grupo econômico seja controlador de mais de uma operadora de telefonia fixa. Por ter comprado o controle da Telefônica (ex-Telesp) na privatização do Sistema Telebrás, os sócios que integram a empresa TBS receberam o prazo de 18 meses para decidir entre a Telefônica e a CRT.
Para fechar o negócio, a TBS tinha três opções de venda, ou seja, a Sercomtel, de Londrina (PR); a Companhia Telefônica do Brasil Central (CTBC), do grupo mineiro Algar; e a própria BT. Nos últimos meses, apenas a Brasil Telecom manifestou o interesse em adquirir a CRT. Os controladores da holding só chegaram a um acordo no dia 7 de abril, durante Assembléia Geral Extraordinária (AGE) que deu autorização para que o Conselho de Administração da BT fechasse a aquisição da operadora gaúcha.
Neves acredita que o contrato deve ser efetivado no próximo mês, quando os acionistas serão convocados para tomar conhecimento das bases fechadas com o Credit Suisse. "Estamos no meio das negociações", afirmou o executivo. "Retomamos as conversas na semana passada num ambiente bastante cordial."
Cultura - A BT vai investir este ano R$ 12,7 milhões em patrocínios de projetos culturais. Neves explicou que R$ 4,5 milhões representam recursos próprios e R$ 8,2 milhões correspondem aos incentivos fiscais federal, estaduais e municipais. Para isso foram selecionados 90 dos 1.600 projetos nas áreas de dança, teatro, cinema e artes plásticos entregues à BT no final do ano passado.
Com isso, a holding estará investindo R$ 1,450 milhão nas peças "Fernanda Encena", "Bibi Canta e Conta Piaf" e "Amigo Oculto". O grupo Corpo receberá R$ 700 mil. Segundo Neves, há também projetos regionais, como por exemplo, o patrocínio à Escola do Clube do Choro de Brasília, que receberá R$ 150 mil. IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLíTICOS 1


