O primeiro vôo do ônibus espacial norte-americano com equipamentos brasileiros destinados à Estação Espacial Internacional sofrerá um atraso de nove meses. O motivo é o descumprimento pela Rússia do cronograma de entrega do ‘‘Módulo de Serviço’’, uma das partes mais importantes nesta segunda fase do projeto. O corte orçamentário feito pelo governo federal nas verbas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) vai atingir o desenvolvimento da parte sob responsabilidade do País.
A direção do Inpe vem negociando algumas alternativas para diminuir impacto do corte de verbas na produção dos itens brasileiros na estação. O gerente do Programa Brasileiro para Estação Espacial Internacional, Petrônio Noronha de Souza, disse que o montante que será reduzido no orçamento ainda está indefinido. ‘‘A grande preocupação é orçamentária, mas essa não é uma questão apenas do Brasil’’, afirmou.
O atraso no cronograma adiou para julho de 2002 a colocação das peças brasileiras em órbita, anteriormente marcado para outubro de 2001. Entretanto, a data de entrega deste material à Administração Nacional de Espaço e Atmosfera (Nasa), dos Estados Unidos, está em aberto. O Inpe deveria enviar sua primeira peça em março de 2001. ‘‘Mas não podemos ficar parados por causa deste atraso já que vários equipamentos são feitos em paralelo’’, comentou o gerente do projeto no Inpe.
No acordo firmado entre o Brasil e o consórcio de Países da Estação Espacial Internacional, o Inpe ficou responsável pela produção de seis equipamentos que seriam repassados à indústria nacional. A Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) foi a única a apresentar uma resposta a licitação pública, concluída no último dia 03. Ela foi qualificada tecnicamente e fabricará todos os itens solicitados ao Brasil.
Segundo Souza, a Embraer ficará responsável pelo desenvolvimento industrial do programa, podendo subcontratar outras companhias para produzir as encomendas da Nasa.
Os equipamentos que o Brasil fornecerá são basicamente estruturas mecânicas munidas de sistemas eletrônicos. São eles, um Palete Expresso para Experimento na Estação Espacial, uma Instalação para Experimentos Tecnológicos, uma Janela de Observação para Pesquisa, um Conteiner Despressurizado para Lojística, um Adaptador de Interface para Manuseio de Carga e um Sistema de Anexação Z1 para Contêineres. O custo total é estimado em US$ 120 milhões, distribuídos entre os anos de 1999 e 2004.

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