São Paulo, 14 (AE) - O Brasil recebe, entre amanhã (15) e 26 de novembro, diplomatas, ministros e chefes de estado dos países signatários da Convenção das Nações Unidas para Combater a Desertificação, UNCCD. O documento começou a ser negociado durante a Rio-92, nas discussões da Agenda 21. Transformou-se em convenção e foi assinada em 14 de outubro de 1994, tendo sido ratificada, até agora, por 106 países.
Seu objetivo básico é difundir métodos e tecnologias de manejo de ecossistemas naturalmente frágeis ou fragilizados por atividades humanas inadequadas, para minimizar os processos de empobrecimento dos solos, perda de biodiversidade e agravamento de secas.
Estima-se que as terras sujeitas a um clima semi-árido representam quase um terço da superfície terrestre e abrigam mais de 900 milhões de habitantes. Nelas se produz 20% dos alimentos do mundo.
"Seca e desertificação são os dois produtos mais tristes da relação entre degradação ambiental e miséria", observa o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. "Não se combate uma sem solucionar a outra", acrescenta. O ministro abre oficialmente a terceira reunião das partes, amanhã (15), no Recife, PE, ao lado do responsável pelo Secretariado da UNCCD, Hama Arba Diallo. Para ele, a reunião é uma oportunidade dos países trocarem experiências e unirem esforços para combater a desertificação.
Nos países africanos, é mais grave a miséria e o desequilíbrio social vinculados aos processos de desertificação. Em muitos casos, a desertificação foi acelerada pela sedentarização de tribos nômades africanas, pelo fim das guerras entre elas e devido a implantação de sistemas agrícolas de exportação, inadequados ao clima e às condições ecológicas, em especial da região conhecida como Sahel, ao sul do Sahara.
No Brasil, o mapa oficial da desertificação coincide, a grosso modo, com o polígono das secas, no sertão nordestino, com uma extensão até o norte de Minas Gerais, num total de 238 mil km2 muito frágeis, altamente suscetíveis à degradação e perda de diversidade biológica e 98,5 mil km2 já afetados por estes processos.
Nem todo o semi-árido, porém, está sujeito a processos de desertificação. Muitas manchas de solo nordestino ainda estão entre os solos mais ricos do país, sobretudo porque estão livres da acidez e intemperização típica das regiões tropicais úmidas, presentes na Amazônia. A desertificação no sertão nordestino vem ocorrendo, de fato, onde a degradação ambiental - decorrente do sobrepastejo, da irrigação mal feita, da retirada irracional da vegetação nativa, de queimadas excessivas e de sistemas agropecuários inadequados - soma-se à escassez de chuvas. A situação é mais grave, por exemplo, no interior do Piauí, em Gilbués, junto às nascentes do rio Parnaíba, e na região de Piauí, na Paraíba.
No norte de Minas, a degradação está intimamente ligada à erosão e perda de solos férteis. E existem ainda pequenos núcleos no pampa gaúcho, no sul do Rio Grande do Sul, onde a superexploração de um solo fértil raso, no sistema de rotação de monoculturas de trigo e soja, rompeu o equilíbrio ecológico e abriu caminho para dunas de areia, em contínua expansão. Há pelo menos 40 núcleos destes com um total de 300 km2 de dunas.
"Para combater a seca e a desertificação, no Brasil, é preciso coordenar as políticas de reforma agrária, das frentes de trabalho, de Educação, de Saúde e de infra-estrutura, distribuição e conservação dos Recursos Hídricos", declarou Sarney Filho.

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