Brasília, 22 (AE) - O Brasil vai sediar, de 15 a 26 de novembro deste ano, a III Conferência dos países signatários da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Seca, o maior evento relacionado à questão ambiental desde a Eco 92, realizada no Rio, há sete anos. O acordo para a realização do encontro foi assinado hoje, entre o secretário-executivo da Convenção, Hama Arba Diallo, o vice-presidente Marco Maciel, e o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.
O Brasil figura hoje como um dos países onde a desertificação está acentuada, abrangendo uma área de 980 mil quilômetros quadrados, atingindo oito Estados nordestinos e mais o norte de Minas Gerais e até o Rio Grande do Sul. Só a Paraíba tem 72% de seu território afetado pelo problema, causado principalmente pela agricultura desordenada.
Pelos cálculos da ONU, nas áreas irrigadas o prejuízo pode chegar a US$ 250 por hectare. No Brasil, este prejuízo pode chegar a US$ 300 milhões por ano.
O principal objetivo da conferência, que será realizada em Recife, é discutir as fontes de financiamento que os países que enfrentam o problema da desertificação podem contar. Para acabar definitivamente com o aparecimento cada vez mais frequente dos desertos no mundo, serão necessário entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões.
"A questão mais sensível da conferência, certamente, será sobre os financiamentos", reconhece Marco Maciel. Mas, segundo ele, o encontro vai possibilitar ao Brasil colocar em evidência os problemas enfrentados hoje pelo semi-árido nordestino.
As decisões da Conferência serão tratadas de maneira global, mas cada país participante irá apresentar soluções locais para facilitar o acesso aos recursos, que deverão ser aplicados de forma geral, dependendo da necessidade de cada Nação.
Além do Brasil, estarão presentes à conferência outros 155 países que ratificaram a Convenção da ONU de Combate à Diversificação e Seca, além de representantes das Nações Unidas, bancos de desenvolvimento e organizações não-governamentais.

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