Dida Sampaio/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)CooperaçãoOs termos dos acordos foram fechados entre o secretário do Ministério da Justiça, José Jesus Filho (e) e o embaixador da Colômbia, Galore CanoOs governos do Brasil e da Colômbia vão assinar acordos para reprimir o desvio de produtos químicos usados na fabricação de drogas e de cooperação judiciária para combater o narcotráfico. Um terceiro acordo está sendo negociado entre os dois países para a transferência de presos. Há no Brasil 43 colombianos condenados, a maioria por envolvimento com o tráfico de cocaína.
No dia 7, os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Ernesto Samper (Colômbia) assinam os dois primeiros acordos em Tabatinga, no extremo oeste do Estado do Amazonas. O terceiro, proposto pelo Brasil, deverá ser assinado em 98.
A Colômbia propôs os dois primeiros acordos. Um dos motivos foi a descoberta de rótulos de empresas brasileiras em produtos químicos, como éter e acetona, encontrados em laboratórios de refino de cocaína. ‘‘Precisamos de armas jurídicas comuns para combater os traficantes’’, disse o embaixador da Colômbia no Brasil, Galore Cano, que fechou ontem os termos dos acordos com o Ministério da Justiça.
Segundo a Polícia Federal, a DEA, agência antidrogas dos Estados Unidos, estima que o Brasil é responsável por 5% do comércio clandestino mundial de produtos químicos usados na produção de drogas. Não há estimativa sobre a participação brasileira no refino de cocaína na Colômbia. ‘‘O acordo com a Colômbia vai agilizar a troca de informações para identificar no Brasil a empresa responsável pelo produto’’, disse o delegado da Polícia Federal Edson Nascimento, da Coordenadoria de Controle de Produtos Químicos.
A PF controla 18 mil estabelecimentos que produzem ou vendem os produtos químicos. Para fugir do controle, os traficantes compram pequenas quantidades de 50 mililitros ou 400 gramas e fazem o chamado ‘‘tráfico formiguinha’’.
O acordo de cooperação judiciária entre Brasil e Colômbia é semelhante ao que foi assinado esta semana por FHC e o presidente norte-americano Bill Clinton. Prevê inclusive a quebra de sigilo bancário, pedida de um país para o outro, a fim de auxiliar a investigação sobre criminosos. ‘‘Os acordos tornam mais eficiente o combate ao crime organizado’’, disse a secretária de Justiça do Ministério da Justiça, Sandra Valle. Sobre o acordo de transferência de presos, a secretária afirmou que essa medida deverá ser estendida a outros países. Servirá para reduzir as despesas carcerárias do Brasil com 950 condenados estrangeiros.

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