Brasília - O ministro da Saúde, Barjas Negri, entregou ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso um resumo dos principais resultados e avanços obtidos pelo Programa Brasileiro de Aids nos últimos anos.
Segundo o ministro, o Brasil reverteu a estimativa do Banco Mundial (Bird) de que, em 2000, o país teria 1,2 milhão de portadores do HIV. O número, atualmente, é de 600 mil infectados.
Entre as diversas ações desenvolvidas pelo ministério, Barjas Negri destacou o aumento do número de pacientes que recebem os medicamentos do coquetel anti-Aids. Em 1997, eram 35 mil pacientes e, em 2002, o ministro acredita que serão 115 mil brasileiros a receber o coquetel.
Os progressos do Brasil no tratamento dos portadores do HIV foram significativos em 2002, mas ainda não são expressivos quando comparados aos números da doença na América Latina e no Caribe: 100 mil pessoas morreram de Aids este ano e 1,9 milhão vivem com o vírus, sendo que 210 mil contaminadas apenas nos últimos 12 meses. Este é o panorama traçado pelo informe anual da OnuAids, programa das Nações Unidas para o combate à doença, publicado ontem.
Em 12 países da região (incluindo a República Dominicana, Haiti e vários países da América Central, como Belize e Honduras), um por cento das grávidas é portador do HIV.
''Em vários países caribenhos, as taxas de contágio chegam ao nível da África Subsahariana, o que torna a região a segunda mais atingida do mundo. Em alguns países é atualmente a principal causa de mortalidade'', afirma o relatório. O informe do programa acrescenta que o Haiti é o país mais afetado, com uma taxa de contágio de 6% dos adultos.
A OnuAids indica que, em termos de prevenção, o ''Brasil oferece um exemplo especialmente positivo'' com esforços dirigidos também a contra-atacar a ''vulnerabilidade'' e a ''discriminação que sofrem os homens que mantêm relações sexuais com homens''. O informe assinala outros exemplos de programas de prevenção na Jamaica e em Trinidad-Tobago, mas lamenta que algumas dessas iniciativas sejam ''minadas por leis discriminatórias contra a homossexualidade''.
Em relação à propagação do HIV através de seringas compartilhadas, isso constitui uma preocupação crescente em vários países, entre eles Argentina, Brasil, Chile, Paraguai, Uruguai, México e Porto Rico.
''O consumo de drogas intravenosas é responsável por 40% das novas infecções comunicadas na Argentina e de 28% no Uruguai'', precisa o informe, enfatizando uma vez mais a importância da prevenção na limitação do contágio.
Por outra parte, a OnuAids assinala ''uma dimensão até agora oculta da epidemia: a infecção pelo HIV na população carcerária'', e insiste na necessidade de pesquisas e programas sistemáticos que permitam proteger os presos e seus companheiros.

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