Brasil retoma negociação sobre aço com visita de secretário dos EUA
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2000
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 28 (AE) - As discussões em torno do comércio de produtos siderúrgicos entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos serão retomadas no dia 14 de fevereiro, quando o secretário de Comércio americano, William Daley, chega ao Brasil acompanhado do embaixador William Fisher, representante comercial adjunto do Departamento de Estado, para tratar deste, entre outros assuntos comerciais.
De acordo com o subsecretário-geral de Assuntos de Integração do Itamaraty, José Alfredo Graça Lima, as negociações em torno de um acordo de suspensão de medidas restritivas ao aço laminado a quente do Brasil foram interrompidas porque o governo americano não gostou do comportamento do Brasil em Seattle, durante as conversações do que deveria ter sido o início da Rodada do Milênio na Organização Mundial do Comércio.
De acordo com Graça Lima, o sub-secretário de Comércio dos Estados Unidos, David Aron, com quem o embaixador esteve negociando durante três dias em Washington essa semana, disse que "se o Brasil tivesse sido mais construtivo com relação à revisão das regras anti-dumping no âmibito da OMC, haveria mais flexibilidade no acordo". Junto com outros países, como o Japão
em Seattle, o Brasil defendeu a tese de revisão das regras multilaterais ao tratamento anti dumping, base do protecionismo amerciano.
Em julho do ano passado, Brasil e Estados Unidos fecharam um acordo segundo o qual foi fixada para o Brasil uma cota de 295 mil toneladas ao ano de exportação de laminados a quente, ao preço de US$ 327 a tonelada. Ocorre que, na prática, o Brasil não vinha se beneficiando desse acordo suspensivo (que suspendeu taxas de importação que invibializam o comércio) porque o preço do produto no mercado interno americano estava mais baixo. Foi justamente a negociação em torno da composição desse preço que os americanos suspenderam por razões políticas.
"Se há uma questão politizada sobre isso, a administração americana é que tem de resolver internamente e levando em conta a importância da relação comercial com o Brasil, com quem eles têm feito bons negócios", disse Graça Lima. "O Brasil não vai querer ser tratado discriminadamente", disse. Segundo Graça Lima, com a queda do preço do aço no mercado americano este ano, o Brasil vai poder voltar a exportar para os Estados Unidos. Essa será a primeira vez que o acordo firmado em julho do ano passado será posto em prática. Além disso, o embaixador disse que os americanos prometeram que as negociações técnicas serão retomadas.
O governo brasileiro ainda terá de esperar 45 dias para começar a negociar como o País vai comercializar o aço laminado a frio. Outro produto brasileiro vítima de uma disputa comercial nos Estados Unidos. Os americanos acusam o produto brasileiro de entrar no mercado americano com dumping (preço menor do que o praticado no mercado de origem) porque as companhias siderúrgicas brasileiras receberam subsídios do governo antes de serem privatizadas, há cerca cinco anos.
Na semana passada a Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos determinou margem de dumping de 63,32% e 46,68% nas vendas da Companhia Siderurgica Nacional (CSN) e da Usiminas. Segundo Graça Lima, essa determinação ainda não é definitiva e durante os 45 dias o Brasil ainda tentará suspender a barreira, mas o processo deverá finalizar em um acordo suspensivo que determine quota e preço fixo para o aço laminado a frio, a exemplo do que ocorreu com o laminado a quente.


