Um conjunto de 130 mil cruzes brancas fincadas na Esplanada dos Ministérios no dia 22 de novembro vai marcar o início da Semana do Trauma 2000. As cruzes representam o número anual de mortes por trauma no País.
Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o prejuízo provocado pelo trauma é de cerca de R$ 84 bilhões, 10% do PIB nacional. Esse número é quatro vezes maior do que todo o orçamento destinado à saúde (R$ 19 bilhões em 98).
A conta leva em consideração os gastos diretos (médicos, enfermeiros, equipamentos) e indiretos (perda de produção).
O trauma é o termo médico para designar as lesões por agentes externos, como ferimentos por armas brancas ou de fogo, acidentes de trânsito, quedas, queimaduras, afogamentos e suicídios.
Os organizadores da Semana do Trauma pretendem sensibilizar a população para a necessidade de prevenir o que já é a segunda causa de morte no Brasil.
A Semana do Trauma é uma iniciativa do Projeto Trauma - um programa contínuo de treinamento profissional e de educação da população.
O projeto é organizado pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC), pela Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado (Sbait), pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot) e pelos Corpos de Bombeiros do Brasil. Desde 99, o Projeto tem o apoio do Ministério da Saúde.
A população mais afetada pelo trauma são os jovens. Segundo Samir Hasslam, ex-presidente do CBC, enquanto as doenças cardiovasculares consomem 10 a 12 anos potenciais de vida perdidos (diferença entre a expectativa de vida e a idade média de morte pela doença), o trauma consome 35.
Além de matar, os acidentes causam invalidez de diversos graus. Não existem dados oficiais sobre o número de incapacitados pelo trauma, mas os organizadores da semana acreditam que para cada morto, há três ou quatro sequelados.
A Semana do Trauma contará também com outros eventos. No dia 25 de novembro, em cem cidades, acontecerão treinamentos de profissionais para agir em situações de desastres e catástrofes.
No dia 26 de novembro, ocorre o Grito da Paz, uma manifestação inter-religiosa de repúdio à violência com a participação de vítimas de trauma.
Segundo Dário Birolini, professor titular de cirurgia do trauma da USP e coordenador-geral do Projeto, a palavra acidente não é adequada para essa doença. ‘‘Ela sugere fatalidade, quando na verdade essa é uma doença totalmente evitável’’, afirma Birolini.
Rasslan afirma que ‘‘50% das vítimas fatais de trauma morrem no local do acidente, porque as lesões são incompatíveis com a vida’’.
Por esse motivo, a prevenção é tão importante para combater o problema. Os médicos apontam o aumento do uso de armas, o excesso de velocidade no trânsito e a ingestão de álcool antes de dirigir como os principais problemas a serem corrigidos.

mockup