Brasília- O Brasil conseguiu manter taxas nacionais constantes de redução do trabalho infantil desde o início da década de 90. Relatório mundial da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado ontem mostra que o número de crianças trabalhadoras entre 10 e 17 anos caiu 36% entre 1992 e 2004. Na faixa etária de cinco a nove anos, foram 60%.
  Os números gerais, no entanto, escondem uma problema que o Brasil ainda tem
que enfrentar: a metade dos Estados brasileiros não conseguiu manter redução constante nos índices de trabalho infantil nos últimos 14 anos. E, em alguns casos, houve aumento no último ano.
  A análise dos dados das Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílio (Pnad) de 1992 a 2004, feita pela OIT, mostra que em alguns Estados aumento o número de crianças entre 10 e 17 anos trabalhando. É o caso do Mato Grosso do Sul, que teve acréscimo em 2002, caiu em 2003 e voltou a subir em 2004. O mesmo aconteceu em Santa Catarina. No Acre, os índices subiram consideravelmente em 2002, caíram um pouco em 2003 e voltaram a crescer em 2004. O mesmo aconteceu em outros 10 Estados.
  ‘‘Se não houvesse essas oscilações a queda nos índices poderia ter sido ainda bem maior’’, disse Osvaldo Russo, secretário nacional de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social.
  A aposta do governo para manter uma queda constante é a integração do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) com o Bolsa Família. ‘‘Precisamos melhorar a gestão e garantir o cumprimento das contrapartidas, que no caso do Peti, além da escola, são o turno extra de atividades que a criança tem que freqüentar’’, afirmou o secretário. ‘‘Com a integração vai ser possível ainda ampliar o número de crianças no programa, coisa que não conseguíamos mais.’’
  O Peti, uma das primeiras iniciativas do mundo que aliou a transferência de renda com a tentativa de tirar crianças do trabalho, mereceu elogios
no relatório da OIT. ‘‘O Peti é visto pela OIT como fundamental, mas a transferência
de renda tem que estar vinculada a um incremento no investimento em educação’’, disse Pedro Américo, coordenador do Programa Internacional para Erradicação do Trabalho Infantil (Ipec, na sigla em inglês) da OIT.
  O relatório da OIT mostra que a educação é dos fatores de maior impacto na redução do trabalho infantil. Cruzamentos de dados do Brasil mostram que, entre as crianças que estudam, a proporção das que trabalham é menos da metade do que entre aquelas que estão fora da escola. ‘‘Políticas sociais que visem à manutenção das crianças na escola e seu sucesso escolar, conjugado com a melhoria dos rendimentos familiares, têm um alto impacto na redução do trabalho infantil’’, diz o relatório na parte específica sobre o Brasil.

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