Cidade do Cabo- Apontado em 2005 como referência de desigualdade, o Brasil foi apresentado no Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) de 2006, publicado ontem, como exemplo de melhoria na distribuição de renda, sendo o 10º mais desigual entre 126 países, mas perdeu uma posição no índice de desenvolvimento humano, caindo de 68º para 69º entre 177 países. ''A boa notícia é que a desigualdade extrema não é algo imutável. Nos últimos cinco anos, o Brasil, um dos países mais desiguais do mundo, tem combinado um sólido desempenho econômico com declínio na desigualdade de rendimentos (...) e na pobreza'', destacou o texto do documento, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Numa lista de 126 países e territórios, o Brasil aparece como o 10º mais desigual do mundo, mais bem posicionado que Colômbia, Bolívia, Haiti e cinco países da África subsaariana, saindo da penúltima posição no ranking de distribuição de renda que ocupava no ano anterior, atrás apenas da Guatemala.
O desempenho do Brasil foi avaliado no relatório sobretudo com base no índice de Gini - indicador de desigualdade de renda que varia de 0 a 1, sendo 0 uma situação em que toda a população possui renda equivalente e 1 em que apenas uma pessoa detém toda a riqueza do país.
No relatório, o índice do Brasil é 0,580, menor que o da Colômbia (0,586, nona no ranking dos piores) e pouco maior que os de África do Sul e Paraguai (0,578, empatadas na 11 posição). A evolução brasileira nos últimos anos vai na contramão da tendência de alta de países como Colômbia, Bolívia e Paraguai.
O RDH 2006 destacou o programa Bolsa Família como um dos responsáveis pelos avanços do Brasil. ''O crescimento econômico criou empregos e promoveu aumento real de salário. E um amplo programa social, o Bolsa Família, tem feito transferências de renda para 7 milhões de famílias que vivem na pobreza extrema ou moderada para ajudar na alimentação, saúde e educação, criando benefícios hoje e bases para o futuro'', frisou.
No entanto, no que diz respeito ao índice de desenvolvimento humano (IDH), apesar de ter apresentado uma melhora entre 2003 e 2004, o Brasil perdeu uma posição no ranking mundial de desenvolvimento humano, caindo da 68para a 69º posição entre 177 países e territórios, continuou o RDH de 2006.
Embora tenha usado indicadores e metodologias revisados e aperfeiçoados nesta edição, o IDH não pode ser comparado aos dos Relatórios anteriores. Mas, para que possam ser verificadas tendências no desenvolvimento humano, o PNUD usou as novas estatísticas para recalcular o IDH de 2004, de 2003 e de outros seis anos de referência: 1975, 1980, 1985, 1990, 1995 e 2000.
O IDH é a síntese de quatro indicadores: PIB (Produto Interno Bruto) per capita, expectativa de vida, taxa de alfabetização de pessoas a partir dos 15 anos e taxa de matrícula bruta nos três níveis de ensino.
Apesar da mudança de cálculo do ano passado para este, o IDH brasileiro passou de 0,788 em 2003 para 0,792 em 2004, resultado que mantém o país entre as 83 nações de médio desenvolvimento humano (IDH entre 0,500 e 0,799), fora, portanto, do grupo de 63 nações de alto desenvolvimento humano, que tem a Noruega no topo pelo sexto ano consecutivo (IDH de 0,965).
A longevidade foi o índice em que o país apresentou o pior desempenho em comparação com o resto do mundo: é o 84º no ranking global. (AFP)

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