Brasil recebeu supervírus de gripe dos EUA
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quarta-feira, 13 de abril de 2005
Claudio Angelo<br>Folhapress 
O que era para ser um controle rotineiro de qualidade virou uma histeria mundial: 3.700 laboratórios em 18 países, dois deles no Brasil, receberam amostras de uma linhagem letal do vírus da gripe, enviada aparentemente por engano por uma empresa americana. Agora, têm de correr para destruir as amostras, a mando da Organização Mundial da Saúde.
As amostras faziam parte de um teste de proficiência do Colégio Americano de Patologistas, instituição dos EUA que dá certificados de qualidade a laboratórios privados mundo afora. O teste consiste em enviar frascos sem rótulo contendo amostras de algum micróbio, que deveriam ser corretamente identificadas pelos laboratórios e devolvidas.
Por algum motivo ainda não esclarecido, foram incluídas no kit amostras da linhagem H2N2 do influenza, o vírus da gripe. Essa linhagem, altamente virulenta, causou uma pandemia (epidemia global) de gripe em 1957-58, que matou entre 1 milhão e 4 milhões de pessoas e causou surtos até 1968, quando o vírus desapareceu da população humana.
''O vírus pode causar uma epidemia global. Não foi sábio distribuí-lo'', afirmou hoje o coordenador de gripe da OMS, Klaus Stohr. A organização diz, no entanto, que o risco é baixo.
No Brasil, o laboratório Fleury e o Hospital Albert Einstein, ambos em São Paulo, receberam o supervírus. As amostras foram todas destruídas anteontem, após pedido da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
''Eu diria que o risco é relativo, porque essas amostras não caem na mão de qualquer pessoa'', disse o virologista Celso Granato, diretor de pesquisa clínica do Fleury. Segundo Granato, as amostras foram recebidas no dia 10 de março, testadas numa cultura de células e congeladas a 80 ºC negativos uma semana depois. O congelamento evita o contágio.
O Hospital Israelita Albert Einstein informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que todas as suas amostras foram destruídas às 17h de anteontem.
O vírus influenza H2N2 distribuído faz parte de um kit montado pela empresa americana Meridian Bioscience Inc., com sede no Estado de Ohio, para o Colégio Americano de Patologistas. No dia 26 de março deste ano, a Agência de Saúde Pública do Canadá informou à OMS que havia achado o vírus em uma amostra não-ligada aos kits. Testes posteriores revelaram que um deles estava na origem da amostra.


