Brasil receberá US$ 4,9 bi do FMI nos próximos dias
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terça-feira, 30 de março de 1999
por Cynthia Decloedt 
São Paulo, 31 (AE)- O Brasil deverá receber nos próximos dias US$ 4,9 bilhões do FMI, relativos a segunda parcela do programa de assistência financeira internacional de US$ 41,5 bilhões, revisado em 8 de março. A liberação dos recursos, como também a revisão das metas econômicas do país para os próximos anos, foram aprovados ontem à noite pelo board do fundo.
"Tenho a satisfação de anunciar que o conselho executivo do FMI, em apoio ao programa econômico revisado do governo brasileiro, aprovou hoje a complementação da primeira e segunda revisão dentro do acordo brasileiro Stand-By", disse Stanley Fischer, primeiro-vice-diretor-gerente do FMI, em comunicado distribuído ontem após a reunião do board. "O Brasil pode agora obter US$ 4,9 bilhões adicionais, que elevarão o total de empréstimos feitos pelo FMI dentro do programa para US$ 9,6 bilhões", disse Fischer.
Segundo ele, "as autoridades (brasileiras) esperam também obter US$ 4,9 bilhões dentro do acordo de empréstimo com o Banco Internacional de Compensações (BIS) e de um empréstimo com o governo do Japão". No comunicado distribuído ontem à noite, informando a aprovação da segunda parcela de recursos para o Brasil, Fischer ressaltou que as perspectivas de financiamento internacional melhoraram para o Brasil, em consequência da recente e esperada liberação de recursos dentro dos programas especiais do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento e pelo compromisso obtido dos maiores bancos credores de manter sua exposição ao Brasil.
Fischer enfatizou que a firme implementação do programa econômico brasileiro continua sendo fundamental para seu sucesso. O comunicado informa que os dois pilares do programa revisado brasileiro são o fortalecimento do ajuste fiscal e a substituição do câmbio como âncora nominal do sistema por uma política monetária direcionada à inflação. Segundo o FMI, o esboço informal da meta inflacionária a ser seguido nos próximos poucos meses terá o objetivo de evitar os efeitos da elevação dos preços, por conta da desvalorização. "Um esboço mais formal de meta inflacionária será adotada no fim do ano, uma vez que a preparação necessária tenha sido feita", diz o comunicado.
Juros- As taxas de juro real brasileiras deverão ficar "significativamente mais baixas em 1999 do que se esperava antes da desvalorização", disse o FMI em seu comunicado. A média da dívida pública em relação ao PIB, prevê o fundo, deverá cair para abaixo de 45% até o fim de 2001, "dois pontos percentuais abaixo do originalmente estabelecido". "Para isto, o programa revisado assume objetivos mais ambiciosos para a balança primária do setor público", diz a nota. "Virtualmente, todas as medidas revisadas do programa já estão em andamento, ou foram aprovadas pelo Congresso brasileiro e estão para ser implementadas nos próximos meses, como planejado".
De acordo com o fundo, a agenda de reformas estruturais em áreas como de "previdência social, reforma dos serviços civis, política de imposto s, procedimentos orçamentários e transparência fiscal" foi aprimorada. Além disso, diz o fundo, o governo dá andamento a um substancial programa de privatização. O FMI prevê que a atividade econômica deverá ser retomada durante o ano, a partir do aumento das exportações e queda nas taxas de juros. O balanço de pagamento também deve melhorar, "a partir da recuperação do fluxo de capitais e do aumento da competitividade do país". O FMI cita ainda que o governo brasileiro pretende amenizar o impacto entre os pobres da queda na atividade econômica prevista no ano poupando os programas sociais dos cortes no orçamento.


