Brasil receberá refugiados da Bósnia
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segunda-feira, 09 de agosto de 1999
Por Edson Luiz 
Brasília, 10 (AE) - O Brasil vai receber, provavelmente em dois meses, cerca de cem refugiados da Bósnia. O acordo foi assinado nesta terça-feira (10) entre o Ministério da Justiça e o Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), mas o governo ainda não definiu para que regiões as pessoas serão enviadas tão logo cheguem ao País.
Esta é a primeira vez que o Brasil acolhe refugiados desde o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Na ocasião, segundo o secretário nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, vieram para o País, vítimas de perseguição nazista. "Agora, infelizmente, estamos recebendo novamente vítimas de perseguições étnicas", afirmou Gregori.
O governo ainda não escolheu os Estados para onde deverão ser enviados os refugiados - cerca de 25 famílias - e também não sabe de que região da ex-Iugoslávia eles virão. Entretanto, estão sendo estudadas áreas no Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. "Mas não temos uma decisão adotada, ainda", diz Gregori.
Para o ministro da Justiça, José Carlos Dias, este será o primeiro passo que o governo brasileiro vai dar. O próximo grupo de refugiados que deverá chegar ao Brasil, também sem data marcada, serão angolanos vítimas dos conflitos étnicos e da guerra civil que atinge a Angola.
"Estamos cumprindo um compromisso histórico com o povo africano", disse Dias. "Agora eles serão recebidos como cidadãos no Brasil, não mais como escravos, como em séculos passados."
Tanto Gregori quanto Dias deram a entender que o Brasil poderá receber novos refugiados de outras partes do mundo, mesmo que em pequeno número. Gregori lembrou que, quando era vice-presidente da Comissão Justiça e Paz, ligada à Arquidiocese de São Paulo, foi encarregado por José Carlos Dias, então presidente da instituição a cuidar dos refugiados sul-americanos que chegavam ao Brasil no período da ditadura.
Dias, inclusive, foi advogado de vários exilados brasileiros no exterior, como o ministro da Saúde, José Serra, e o secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira.


