Washington, 24 (AE) - Num novo sinal da disposição positiva de investidores e credores antes as perspectivas da economia da economia brasileira este ano, o País deverá receber este ano um fluxo líquido de capitais externos privados de US$ 40 bilhões, mais do que o dobro do montante do ano passado, quando o repagamento de várias orbigações limitou as transferências líquidas a menos de US$ 20 bilhões.
A projeção foi divulgada hoje (24) pelo Instituto de Finanças Internacionais (IIF, pela sigla em inglês), uma associação de mais de 300 empresas financeiras globais sediada em Washington.
O aumento dos fluxos para o Brasil responderá pelo grosso do crescimento líquido de US$ 68 bilhões em 199 para US$ 85 bilhões dos recursos externos privados esperados na América Latina.
A América Latina, por sua vez, será o destino de metade dos US$ 190 bilhões em capitais privados que devem fluir para os trinta principais economias emergentes, um salto de quase 25% comparado com os US$ 150 bilhões registrados no ano passado.
As projeções do IIF sugerem que, isoladamente, o Brasil atrairá este ano mais de 20% dos fluxos líquidos de investimentos e créditos privados destinados aos países emergentes.
"Embora esse montante continue abaixo da média dos fluxos privados dos últimos cinco anos, os investidores e credores internacionais estão mostrando crescente confiança nos mercados emergentes", disse Charles Dallara, o diretor-geral do IIF.
"O fato de os fluxos líquidos de capitais privados estarem se aproximando novamente dos US$ 200 bilhões é um indício de que os participantes do mercado estão começando a ver a crise financeira dos anos recentes como coisa do passado", acrescentou ele.
Dallara recomendou cautela, no entanto, lembrando que há riscos para a sustentação desse movimento favorável de capitais tanto nos países aos quais eles se destinam, que devem manter políticas econômicas capazes de reforçar a confiança, como nas nações ricas do chamado Grupo dos Sete (G-7), a começar pelos Estados Unidos, onde um aperto excessivo da política monetária poderia ter implicações negativas domésticos e internacionais.
"Não acreditamos que novos aumentos moderados de juros nos Estados Unidos e na Europa terão um impacto negativo maior em nossas previsões", disse o diretor do IIF.
"No entanto, aumentos mais significativos de juros nos EUA, acompanhado de possíveis desdobramentos relacionados com o déficit crescente da conta corrente e eventuais pressões contra o dólar provocados por um forte declínio do mercado de ações, poderiam ter consequências adversas para os mercados emergentes."
O economista William Cline, que é o número dois do IIF, disse que uma subida de até 1% dos juros norte-americanos nos próximos meses poderá ser "moderada" e ter efeitos muito limitados numa nação como o Brasil, se o país continuar a fazer progressos na política fiscal.
"O Brasil ofereceu 6,5% acima do Tesouro em sua última emissão de bônus global", disse. "Se o governo continuar a avançar em seu programa fiscal, há espaço para que esse spread caia uns 3% e chegue ao nível que o México está pagando."
Nesse cenário, o economista não vê motivos para preocupação com um aperto suave da política monetária pelo Federal Reserve, esperado para o início do mês que vem. Nesse cenário, disse ele, "a redução do spread mais do que absorveria um aumento dos juros". E deixaria espaço para o governo continuar a baixar os juros domésticos.
O movimento de volta dos investimentos e empréstimos de bancos aos países emergentes continuará forte, também, na ásia, e sobretudo na China, menos de três anos depois do início da crise financeira iniciada na Tailândia e que afugentou os capitais de risco dos mercados emergentes.
O IIF espera um salto dos fluxos líquidos de capitais privados na ásia de US$ 40 bilhões em 1999 para US$ 60 bilhões. Outros US$ 40 bilhões irão para a China.
Os fluxos de investimentos diretos de capital estrangeiro cairão um pouco, de quase US$ 139 bilhões, no ano passado, para perto de US$ 120 bilhões este ano, nos 30 países emergentes considerados (nove na América Latina, oito na ásia, oito na Europa e cinco na áfrica).
Mas a queda será compensada por um aumento das aplicações em bolsas, que devem dobrar para US$ 34 bilhões, de acordo com a projeção do IIF. Os fluxos de empréstimos também aumentarão e voltarão a ser positivos, atingindo quase US$ 40 bilhões, depois das transferências líquidas de mais de US$ 7 bilhões registradas no ano passado.
Num sinal adicional de normalização, os fluxos líquidos de dinheiro das instituições financeiras oficiais para os países, que alcançaram US$ 52,8 bilhões em 1998 mas encolheram para US$ 11,9 bilhões no ano passado, continuarão a cair. O IIF estima que eles ficarão em pouco mais de US$ 9 bilhões.
O IIF espera uma expansão de 4,7% do PIB no conjunto dos países que usou para fazer as projeções. De acordo com Dallara, "sustentar um crescimento próximo de 5% provavelmente requererá déficits em conta corrente maiores do que o modesto déficit global de US$ 16 bilhões que projetamos para as economias emergentes este ano".

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