Porto Alegre - Dez refugiados afegãos chegaram no final da manhã de ontem a Porto Alegre. É o primeiro grupo do país a chegar ao Brasil depois que o governo federal aceitou receber fugitivos da guerra no Afeganistão.
São quatro adultos e seis crianças entre 2 e 16 anos, que ficam primeiro em um hotel da Brigada Militar. Depois, irão para residências alugadas. Já têm empregos garantidos e estudarão português em aulas particulares. Não foi divulgado o custo da operação de transferência.
Os refugiados moravam havia dez anos no Irã, tendo escapado da guerra civil (1992-96) no seu país. Eles foram recebidos pelo ministro da Justiça, Miguel Reali Júnior, no aeroporto Salgado Filho. ‘‘Viemos para cá com objetivo de dormir em paz e sermos muito felizes’’, disse Marzieh Rahimi, 28, mulher do técnico em engenharia Abdol Vahed Rahimi, 37 – que tem em seu currículo, profissões das mais variadas, que lhe permitem exercer várias atividades, de jornalista a pedreiro.
Vali Ahmad Faghiri, 16, não escondia seu sorriso. ‘‘Não esperava uma recepção tão boa, quero ficar aqui sempre’’, disse, ao lado do pai, o professor Nesar Ahmad Faghiri.
Ao todo, 23 afegãos virão a Porto Alegre, cidade que conta com lei que autoriza convênios para refugiados. Os 13 que ainda não chegaram têm sua vinda marcada para o próximo dia 26.
A chegada dessas famílias faz parte do acordo para reassentamento de refugiados estabelecido entre o Brasil e o Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados). A finalidade desse acordo é fortalecer a solidariedade internacional em busca de soluções duradouras para esses casos.
‘‘O Brasil dá uma demonstração do significado humanitário no momento em que o mundo vive um momento de intransigência, intolerância e sangue. Que esse ato tenha o significado da paz’’, disse Reale Júnior.
O acordo determina que, para uma pessoa ser reassentada, é preciso que ela seja vítima de perseguição em razão de raça, religião e nacionalidade, por pertencer a determinado grupo social, por ter determinadas opiniões e, em razão disso, necessite de proteção jurídica ou física.
A seleção dos refugiados é realizada com base em critérios jurídicos e humanitários pelo Conare (Conselho Nacional de Refugiados), sob responsabilidade do governo federal e em colaboração com o Acnur, que também contribui com todos os gastos dos reassentados, como passagens, alimentação, medicamentos, moradia, transporte e educação.

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