Brasil recebe refugiados de guerra afegãos
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sexta-feira, 12 de abril de 2002
Léo Gerchmann Agência Folha 
Porto Alegre - Dez refugiados afegãos chegaram no final da manhã de ontem a Porto Alegre. É o primeiro grupo do país a chegar ao Brasil depois que o governo federal aceitou receber fugitivos da guerra no Afeganistão.
São quatro adultos e seis crianças entre 2 e 16 anos, que ficam primeiro em um hotel da Brigada Militar. Depois, irão para residências alugadas. Já têm empregos garantidos e estudarão português em aulas particulares. Não foi divulgado o custo da operação de transferência.
Os refugiados moravam havia dez anos no Irã, tendo escapado da guerra civil (1992-96) no seu país. Eles foram recebidos pelo ministro da Justiça, Miguel Reali Júnior, no aeroporto Salgado Filho. Viemos para cá com objetivo de dormir em paz e sermos muito felizes, disse Marzieh Rahimi, 28, mulher do técnico em engenharia Abdol Vahed Rahimi, 37 que tem em seu currículo, profissões das mais variadas, que lhe permitem exercer várias atividades, de jornalista a pedreiro.
Vali Ahmad Faghiri, 16, não escondia seu sorriso. Não esperava uma recepção tão boa, quero ficar aqui sempre, disse, ao lado do pai, o professor Nesar Ahmad Faghiri.
Ao todo, 23 afegãos virão a Porto Alegre, cidade que conta com lei que autoriza convênios para refugiados. Os 13 que ainda não chegaram têm sua vinda marcada para o próximo dia 26.
A chegada dessas famílias faz parte do acordo para reassentamento de refugiados estabelecido entre o Brasil e o Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados). A finalidade desse acordo é fortalecer a solidariedade internacional em busca de soluções duradouras para esses casos.
O Brasil dá uma demonstração do significado humanitário no momento em que o mundo vive um momento de intransigência, intolerância e sangue. Que esse ato tenha o significado da paz, disse Reale Júnior.
O acordo determina que, para uma pessoa ser reassentada, é preciso que ela seja vítima de perseguição em razão de raça, religião e nacionalidade, por pertencer a determinado grupo social, por ter determinadas opiniões e, em razão disso, necessite de proteção jurídica ou física.
A seleção dos refugiados é realizada com base em critérios jurídicos e humanitários pelo Conare (Conselho Nacional de Refugiados), sob responsabilidade do governo federal e em colaboração com o Acnur, que também contribui com todos os gastos dos reassentados, como passagens, alimentação, medicamentos, moradia, transporte e educação.


