Washington, 29 (AE) - O Brasil recebeu hoje (29) uma boa nota, nos boletins que o governo norte-americano distribui anualmente aos países que produzem ou por onde transitam as drogas consumidas nos Estados Unidos.
No total são 26 e apenas seis deles deixaram de receber certificados de boa conduta, no que diz respeito ao combate ao narcotráfico. Um deles, foi o Paraguai - sócio do Brasil, da Argentina e do Uruguai no bloco econômico Mercosul.
No mesmo dia em que "certificou" a boa conduta brasileira, o governo americano divulgou um relatório, avaliando os esforços feitos em 1999, para combater a venda de drogas e a lavagem de dinheiro no mundo inteiro.
O documento deu especial ênfase à criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que desde abril passado investiga o narcotráfico no Brasil e suas ligações com juízes e políticos.
O relatório ressalta que no ano passado o governo brasileiro adotou medidas e leis mais duras, para comabter o narcotráfico, apesar de ter que lidar com situações de emergência, como a crise provocada pela desvalorização do real em janeiro de 1999.
O Brasil não é considerado um país produtor de drogas, como Colômbia, Peru e Bolívia. Tem alguns cultivos de maconha, no nordeste, "principalmente para consumo doméstico", diz o relatório. O que preocupa os Estados Unidos é a utilização do território brasileiro pelos traficantes, como rota para chegar ao mercado norte-americano.
Outra preocupação é a produção de químicos, no Brasil, utilizados para fabricar drogas. Mas o relatório também reconhece que o governo brasileiro tem feito esforços para monitorar de perto as empresas que fabricam esses produtos.
Dos 26 países avaliados ontem dois deles (Afeganistão e Burma) estarão sujeitos a sanções econômicas, por não terem cooperado nos esforços de combater o narcotráfico. Outros quatro - Camboja
Haiti, Nigéria e Paraguai - tampouco receberam certificados de boa conduta, mas não serão punidos.
Já o México (que além de país de trânsito é produtor) e a Colômbia (que em 1999 aumentou em 20% a sua área de cultivo de coca, é considerado o maior distribuidor mundial de cocaína, e também um importante fornecedor de heroína para os EUA) receberam ambos certificados de boa conduta. A decisão, do presidente Bill Clinton, contrariou alguns parlamentares americanos.
Clinton decidiu certificar os dois países porque considera que ambos cooperaram com o governo americano e fizeram sérios esforços para combater o narcotráfico. Mas alguns parlamentares americanos argumentam que a corrupção no México é grande e limita qualquer ação para impedir que os traficantes cruzem a fronteira com os Estados Unidos.

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