Brasil recebe 2,5 mil unidades de antídoto contra metanol
Remessa foi a primeira do fomepizol a chegar ao país; Paraná receberá 84 doses
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de outubro de 2025
Remessa foi a primeira do fomepizol a chegar ao país; Paraná receberá 84 doses
Letycia Bond - Agência Brasil 

São Paulo - O Ministério da Saúde recebeu nesta quinta-feira (9), no Aeroporto de Guarulhos (SP), uma remessa com 2,5 mil unidades do antídoto fomepizol, usado no tratamento de pacientes com metanol no organismo. A substância detectada tem sido ingerida junto com bebidas alcoólicas adulteradas, produzidas de maneira clandestina.
É a primeira remessa desse antídoto a chegar ao Brasil. Ao todo, 1,5 mil unidades já começariam a ser distribuídas ainda nesta quinta, sendo priorizado o estado de São Paulo, que registra o maior número de casos de intoxicação pela substância. A unidade federativa recebe 288 unidades do medicamento.
O restante do lote será destinado a outras localidades com ocorrências confirmadas: Pernambuco (68 unidades), Paraná (84), Rio de Janeiro (120), Rio Grande do Sul (80), Mato Grosso do Sul (20), Piauí (24), Espírito Santo (28), Goiás (52), Acre (16), Paraíba (28) e Rondônia (16).
O envio terá continuidade nesta sexta, estendido a todo o país, inclusive em locais sem casos comunicados às autoridades. A pasta ainda manterá mil ampolas de fomepizol guardadas em estoque.
Os estados poderão demandar novas remessas, conforme sua necessidade e surgimento ou alta de casos. Em nota, o ministério esclarece que o quantitativo foi definido a partir de dados demográficos oficiais, do último Censo, elaborado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A aquisição do lote foi realizada com a subsidiária de uma companhia japonesa. A compra foi viabilizada pelo Fundo Estratégico da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).
O presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Leandro Safatle, destacou que o órgão já iniciou o treinamento de 5 mil agentes de vigilância, policiais e funcionários do Ministério da Agricultura para prepará-los para o enfrentamento das ocorrências. A ação é fruto de uma parceria firmada com a pasta e a Sociedade Brasileira de Produtores de Bebida.
"A gente está qualificando os servidores da vigilância sanitária para poder proceder diante desse tipo de situação e ajudando no processo de fiscalização e entrega de amostras aos laboratórios para análise", explicou Safatle.
A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, destacou que a população já tem acesso ao etanol farmacêutico, e agora o governo está oferecendo uma alternativa, que é o fomepizol. Ela acrescentou que a intoxicação pode ser constatada não somente por exames que mostrem a presença de metanol no corpo, mas por outros, também laboratoriais, como o de gasometria.
Segundo a secretária, à medida que foram surgindo mais casos, as autoridades de saúde viram que a substância tóxica fazia os pacientes adoecerem em um intervalo menor.
"O ministério ampliou a suspeita do caso de seis a 72 horas após a ingestão [da bebida], porque estava observando pessoas entrando [na unidade de saúde, à procura de atendimento] com seis horas, oito horas", relatou.
Perguntada sobre a quantidade de unidades de antídoto dada a cada pacientes, Mariângela Simão informou que o cálculo é de cerca de 30 ampolas de etanol farmacêutico. Já em relação ao fomepizol, a estimativa é de quatro. Os números variam de acordo com fatores como o peso da pessoa e os sintomas que ela apresenta.
A Sesa (Secretaria de Estado da Saúde do Paraná) atualizou, nesta quinta-feira, as informações sobre os casos suspeitos e confirmados de intoxicação por metanol após ingestão de bebidas alcoólicas no Estado.
Leia mais:
Um novo caso é considerado suspeito, um paciente de Curitiba. O homem de 65 anos alegou ter ingerido bebida alcoólica e foi internado em um serviço de saúde da capital. A Sesa já orientou que seja realizado coleta de material para análise laboratorial.
O Paraná seguia com três casos diagnosticados. Todos os pacientes (homens de 36, 60 e 71 anos, residentes na capital) permaneciam internados, recebiam acompanhamento médico especializado e apresentavam melhoras. (Com Agência Estadual de Notícias)




