São Paulo, 06 (AE) - O Brasil começou a rebater críticas de seus pareceiros do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) de que estaria iniciando uma "ruptura" do bloco por causa de uma aproximação "unilateral" com a Comunidade Andina de Nações (Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela). O Itamaraty enviou a seus parceiros um documento explicando que essa aproximação com a CAN nada mais é do que um acerto para prorrogar acordos bilaterais comerciais no âmbito da Aladi (Associação Latino Americana de Integração), que venceram no final do mês passado.
As negociações iniciadas na semana passada com os países do ex-Pacto Andino vêm sendo vistas com receio e apreensão por argentinos, paraguaios e uruguaios, já que o Tratado de Ouro Preto, segundo eles, prevê negociações tipo quatro (os países do Mercosul) mais um (um país ou um outro bloco regional). Ou seja, pelo tratado, o Brasil não poderia estar negociando de forma isolada com a CAN.
"O Brasil reconhece que a CAN é muito importante para o comércio exterior do País, mas o Mercosul, como bloco, fracassou em suas negociações com os países andinos", disse o secretário de Comércio Exterior, Mario Marconini. Em função desse fracasso, tanto a Argentina como o Uruguai, por exemplo, também optaram por prorrogar os acordos bilaterais com os países andinos até 31 de dezembro deste ano. De acordo com Marconini, as negociações com a CAN tem como base os acordos preferenciais no âmbito da Aladi e deverão ser concluídos em 90 dias.
O Mercosul e a CAN vem negociando a criação de uma área de livre comércio entre as duas regiões há mais de dois anos, com a meta de entrar em vigor a partir do ano 2000. Mas uma maior aproximação fracassou no último dia 31 de março. Agora, a idéia é retomar o diálogo nos próximos meses e concluir um acordo até o final deste ano.

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