O governo brasileiro está disposto a transferir tecnologia de produção de remédios antiaids para países em desenvolvimento. O coordenador do Programa Nacional de Aids do Ministéiro da Saúde, Paulo Teixeira, vai apresentar oficialmente a proposta durante a 13ª Conferência Internacional de Aids, que começa domingo em Durban, África do Sul. Os laboratórios oficiais já produzem 7 dos 12 medicamentos empregados no tratamento de Aids, mas não têm as patentes desses remédios, similares aos fabricados por multinacionais.
O coordenador informa que 47% dos anti-retrovirais utilizadas no Brasil são fabricados pelos laboratórios oficiais e representam 19% do total de gastos com remédios para Aids. Os medicamentos das multinacionais consomem 81% do orçamento previsto para compra de anti-retrovirais, apesar de representarem 53% do total do consumo.
Teixeira reconhece que haverá muita reclamação das
multinacionais diante da proposta do Brasil para ajudar principalmente os países africanos a instalarem fábricas, treinar pessoal e transferir técnicas e procedimentos de produção. ‘‘Mas o Brasil está disposto a enfrentar’’, garante o coordenador, lembrando que o governo também pressiona os fabricantes a reduzir os preços de remédios para Aids.

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