A embaixada do Brasil em Israel pediu às autoridades israelenses proteção policial para as oito brasileiras resgatadas de uma boate em Tel Aviv, depois que Kelly Fernanda Martins apareceu morta no meio da rua e com o passaporte sobre o peito. Antes de morrer, a brasileira ligou para a família contando que vivia em cárcere privado e era obrigada a usar drogas e a se prostituir. O corpo de Kelly ainda não foi liberado. A polícia israelense ainda está fazendo a autópsia para identificar a verdadeira causa da morte, já que há suspeitas de overdose. A polícia local também investiga a hipótese de envenenamento.
Segundo a assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores, o governo de Israel tem total interesse em esclarecer a suspeita de assassinato de Kelly e de prender os envolvidos na rede de tráfico de escravas brancas. Assim como Kelly, as oito brasileiras protegidas pela polícia teriam confirmado o cárcere privado. Tão logo elas concluam depoimentos à polícia de Israel, deverão ser repatriadas. Até ontem, a expectativa do governo brasileiro era de que ainda esta semana elas poderiam tomar o avião de volta para casa.
A mãe de Kelly Fernanda, a doméstica Selma Martins Rosa, 48 anos, disse ontem, no Rio, que no último dia 16, um dia antes de aparecer desacordada em uma rua de Tel Aviv e morrer logo depois, a filha telefonou afirmando que estava sendo ameaçada de morte. A advogada Cristina Leonardo, do Centro Brasileiro de Defesa da Criança e do Adolescente, disse ontem que pedirá à polícia do Rio que abra uma investigação para investigar as conexões brasileiras da quadrilha. As investigações, segundo a advogada, poderiam começar a partir de familiares de uma carioca chamada Célia, que mora em Israel e seria a agenciadora da rede de prostituição.
Segundo a advogada, o pai de Célia moraria no Rio e teria ligações com a quadrilha. Outra carioca envolvida se chamaria Rosana, mulher que teria feito o convite para que Kelly e outras mulheres fossem para Israel. Segundo Rosa, a filha havia ido para Tel Aviv com a tia, Ana Lúcia Furtado, 30 anos, e a ex-cunhada Kátia Regina Fernandes, 19 anos, em busca de uma promessa de emprego: trabalharem em casas de família, como ‘‘baby-sitter’’, ou em lanchonetes, para ganhar cerca de US$ 1,5 mil por mês.
Desde que chegou, em 25 de agosto, a filha já havia telefonado para dizer que o emprego não era nada daquilo. Ela, a tia, a ex-cunhada e mais seis mulheres teriam sido obrigadas a se prostituir em boates e a tomar drogas. Em seu último telefonema, segundo a mãe, Kelly disse que encontrara o seu passaporte atrás de um sofá. O documento teria sido tomado assim que chegou e descobriu que seu patrão, de nome Yossi, seria membro da quadrilha internacional.
Rosa conseguiu anteontem uma carta que a filha havia escrito para uma amiga no Rio, em 6 de outubro, na qual diz que descobrira que seu ‘‘patrão é um mafioso grandão aqui’’ e que estava com medo.
Selma Martins Rosa disse ontem que só o que deseja e ter o corpo da filha de volta e que o governo brasileiro exija justiça.

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