Brasil quer criação de santuário de baleias no Atlântico Sul
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quarta-feira, 31 de março de 1999
Por Mariângela Heredia 
Brasília, 01 (AE) - O governo brasileiro vai apresentar em maio, durante a 51ª reunião da Comissão Internacional da Baleia (CIB), em Granada, Espanha, a proposta de criação de um santuário no Atlântico Sul.Caso a proposta seja aprovada, será o terceiro santuário de baleias em águas internacionais, onde a caça é proibida. Os outros dois são no Oceano Índico e nos mares que circundam o Continente Antártico.
A intenção é incentivar o turismo de observação das baleias, beneficiando diretamente as comunidades regionais e criando oportunidades para a educação do público sobre a vida marinha, sua importância e necessidade de conservação.
De acordo com técnicos dos Ministérios do Meio Ambiente, Itamaraty e organizações não-governamentais que elaboraram a proposta brasileira, a criação do santuário garantirá a proteção de nove das 12 espécies de grandes cetáceos, na hipótese de suspensão da moratória à caça, instituída em 1987 pelo CIB. A partir dessa decisão, a caça indiscriminada foi proibida em todo o mundo.
A caça comercial das grandes baleias no Hemisfério Sul resultou na quase extinção de grandes cetáceos, que chegaram ao limite mínimo de 5% de suas populações iniciais na década de 80. O Brasil defende hoje uma posição antibaleeira na CIB e não tem interesse comercial na caça comercial de baleias.
A proposta precisa ser aprovada por três quartos dos países votantes na CIB. Países baleeiros, como Japão e Noruega, deverão oferecer resistência. Os quatro países do Atântico sul na CIB, Argentina, Chile, Brasil e áfrica do Sul, já concordaram com a criação do santuário.


