Goiânia- O governo brasileiro vai montar, com a ajuda do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNOCD), um sistema de combate ao tráfico de seres humanos, integrado numa rede de coooperação internacional que deve envolver cerca de 50 países até o final do mandato do presidente Lula. A informação foi dada ontem pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, ao lançar, na capital goiana, uma campanha nacional contra esse tipo de crime.
O tráfico internacional de seres humanos movimenta cerca de US$ 9 bilhões por ano e recruta milhares de pessoas para trabalho degradante, a quase totalidade mulheres exploradas por máfias de prostituição. ''Essa é uma luta na qual o governo se integra com fervor, em parceria com a ONU. Trata-se de um crime sutil, não ostensivo, que muitas vezes se disfarça e se esconde. É preciso lutar contra ele com as armas da sofisticação e trabalhar em rede, assim como eles'', disse o ministro.
O combate a esse tipo de crime, explicou, será feito também mediante parcerias, a desburocratização das ações de Estado, campanhas de treinamento para agentes do Estado operadores do direito e um esquema duro de repressão, a ser desencadeado pela Polícia Federal.
''A PF entra com toda a força no combate repressivo a esse tipo de crime, lançando mão das nossas conexões internacionais, para que a luta se torne eficiente e espraiada pelo mundo'', enfatizou Bastos. O Brasil tem uma participação crescente no mercado do aliciamento de mulheres para a prostituição.
Antes de ser expandida a outras regiões, a campanha lançada hoje abrangerá Goiás, Ceará, os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e o Distrito Federal, principais pontos de saída das vítimas do tráfico.
Mais de 60% das brasileiras exploradas por redes internacionais são recrutadas em Goiás. Elas são atraídas por promessas de casamento ou de emprego e têm o passaporte confiscado quando chegam ao destino. Na Europa, os principais destinos são Portugal, Espanha e Itália, mas há redes de aliciamento de prostitutas brasileiras também no Paraguai, Suriname e Venezuela.
Reféns desses grupos, elas são confinadas em cabarés, onde chegam a fazer 15 programas por dia, em troca de alimentação, estada e um salário irrisório. O segundo Estado mais visados pelos aliciadores é o Ceará, há anos rota do turismo sexual.

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