Brasil protege menos do que Bolívia e Colômbia
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de março de 1999
Por Liana John 
Campinas, 08 (AE) - O Brasil tem 91 unidades de conservação federais de uso indireto, mas o levantamento da WWF só considerou as criadas há mais de 6 anos, tempo mínimo para sua implementação. Estas 86 unidades verificadas cobrem 1,85% do território nacional. Só isso já coloca o Brasil entre os países que menos área percentual protegem, uma vez que a média mundial é de 6%. Mesmo países pobres - e com grandes extensões de terra - como Bolívia (3,9%), Colômbia(7,9%) e Venezuela (22%) protegem bem mais.
Em todas as unidades federais de uso indireto brasileiras é proibida a exploração dos recursos naturais. Mas a maioria tem algum tipo de uso irregular, além de estar abandonada e precariamente implementada, apesar das leis serem rigorosas no papel. Os maiores entraves à proteção efetiva, segundo o WWF, estão na falta de pessoal, falta de regulamentação de medidas para aplicar as leis ambientais, dificuldades de monitorar áreas extensas e acesso difícil. Também faltam planos de manejo, recursos para custear a fiscalização ou mesmo a demarcação adequada das áreas.
As maiores áreas protegidas estão na floresta amazônica enquanto o menor número de unidades abrange os cerrados. Em área proporcional, o bioma menos protegido é a caatinga. A Mata Atlântica tem um grande número de unidades, mas um baixo percentual em área proporcional, somando apenas 1,1% do domínio original. Isso reflete o altíssimo grau de fragmentação desse ecossistema, com graves consequências para a preservação das espécies. No Pantanal, apesar da importância da fauna, existem só 3 unidades de conservação, correspondentes a 1,3% da área total.
"A maioria dos recursos internacionais destinados à conservação da biodiversidade no Brasil são direcionados e aplicados principalmente na Amazônia, na Mata Atlântica e no Pantanal", diz o relatório. "Isso torna a situação dos outros biomas ainda mais preocupante. É fundamental que se reoriente as prioridades de conservação a fim de contemplar também os outros biomas brasileiros".


