São Paulo, 19 (AE) - O economista José Alexandre Scheinkman, professor da Universidade de Chicago, destacou hoje, em seminário realizado em São Paulo pelas Faculdades Ibmec, que o baixo nível de investimento do Brasil nos últimos anos é o principal responsável pelo crescimento reduzido do País entre os anos de 80 e 98. Neste período, o crescimento per capita médio foi de 0,14% ao ano, contra médias da ordem de quase 7% da Coréia do Sul, por exemplo.
"Entre os anos 60 e 80, o Brasil teve crescimento médio per capita de 4,5%. Se tivesse continuado neste ritmo, hoje a renda per capita brasileira seria o dobro, no nível da Coréia", diz Scheinkman.
Segundo seus estudos, o Brasil entre os anos de 90 e 97 teve uma taxa de investimento baixa, da ordem de 20%, contra uma taxa de 35% da Coréia e China, por exemplo. "O Brasil precisa de uma taxa de crescimento entre 25% e 27% para ter um crescimento a dequado", afirmou.
Ele lembra que o governo tem contribuído negativamente para a formação de investimentos, por ter gastos mais elevados que suas receitas. A poupança do governo foi negativa em cerca de 3% no ano passado, e deve repetir este montante este ano, diz o economista.
Para compensar a falta de investimentos internos, o Brasil tem usado capital externo para financiar seus investimentos. Em 97, esta diferença foi de 4%. "O Brasil está no limite máximo de absorção do capital externo, para não ficar muito dependente deste dinheiro. Para reverter este quadro de baixo investimento, o governo precisa urgentemente cortar seus gastos. Assim a poupança interna vai permitir uma retomada do crescimento", diz.

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