Brasil possui 145 mil crianças em mineração
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quinta-feira, 09 de junho de 2005
Eduardo Kattah<br>Agência Estado 
Belo Horizonte- Cerca de 145 mil crianças e adolescentes trabalham em mineração no Brasil, segundo dados divulgados ontem pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do IBGE, de 2003. O contigente - 145.967 pessoas de 5 a 17 anos - corresponde aproximadamente a 4% dos trabalhadores do setor no País.
A exploração da mão-de-obra de crianças e adolescentes na mineração foi eleita este ano pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) tema central do Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, domingo. ''É um setor rudimentar, onde as condições são precárias e extremamente perigosas para as crianças. Ainda que em números absolutos o trabalho infantil na mineração e pedreiras não seja tão grande quanto a exploração doméstica, é muito significativo, pois os riscos para a vida e a saúde da criança são muito grandes'', observou o coordenador do Programa Internacional de Erradicação do Trabalho Infantil (Ipec) da OIT, Pedro Américo Furtado de Oliveira.
O problema atinge basicamente crianças e adolescentes pobres, sem acesso à cidadania e saúde, lembra Oliveira, que participou ontem em Belo Horizonte do Seminário sobre Trabalho Infanto-Juvenil em Pedreiras e Mineradoras em Minas Gerais. O Estado é responsável por cerca de 65% da produção brasileira de minerais, com mais de 300 minas em operação.
O médico do trabalho e auditor fiscal da DRT-MG, Airton Marinho, destaca os reflexos deste tipo de trabalho na saúde dos adolescentes e crianças. ''O trabalho minerário é um trabalho muito pesado, cheio de riscos até para os adultos. Imagine para a criança, cujo corpo não se formou totalmente.'' Marinho cita cinco riscos principais para a saúde infanto-juvenil: físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes (fraturas e mutilações).


