Brasil pode ter fábrica de dinheiro de plástico
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quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por Cley Scholz 
São Paulo, 09 (AE) - A empresa australiana Securency, única fabricante mundial de dinheiro de plástico, analisa a possibilidade de produzir no Brasil as cédulas de polímero destinadas ao mercado interno e ao Mercosul. O dinheiro de plástico já é usado na Austrália, Nova Zelândia, em Singapura, na Romênia, Indonésia e em outras economias menos expressivas.
A Securency já conseguiu pôr 1,7 bilhão de cédulas plásticas em circulação e recentemente garantiu a entrada de 250 milhões de unidades no Brasil, a partir de abril do ano que vem.
As cédulas, comemorativas dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, serão impressas na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, com folhas de polímero (espécie de plástico derivado do petróleo) importadas da Austrália.
"Se houver aceitação e o Banco Central aprovar essa nova tecnologia, estamos dispostos a estudar a possibilidade de instalar uma unidade industrial no País", disse hoje o gerente-geral da Securency do Brasil, Sergio Detoie.
"Nossa tecnologia apresenta vantagens em relação ao papel-moeda convencional e estamos entrando em vários países", comenta Detoie, um engenheiro químico de 25 anos que instalou no Brasil uma representação da UCB, empresa Belga que é uma das sócias da Securency, com o Banco Central australiano. A UCB do Brasil importa e distribui produtos químicos de alta tecnologia.
A investida da Securency no Brasil está incomodando a Indústria de Papel de Salto, no interior de São Paulo, detentora do monopólio da fabricação de papel-moeda no País. A empresa alega que o dinheiro de plástico é 30% mais caro. A única fornecedora de papel de segurança para a Casa da Moeda é uma associação entre o Grupo Votorantin, do empresário Antônio Ermírio de Moraes, e o grupo europeu Arjo Wiggins. A empresa foi fundada em 1977, após acordo com o governo para produzir papel-moeda nacional, em substituição ao importado.
A empresa chegou a ser consultada para produzir as cédulas de R$ 5 especiais, em comemoração aos 500 anos do descobrimento, no ano passado, e se propôs a produzir o material gratuitamente, segundo o diretor-comercial da empresa, Michel Giordani.
O executivo ataca o dinheiro de plástico alegando que ele apresenta maior risco de falsificação, além de ser mais caro que as cédulas nacionais.
Polêmica - A Índústria de Papel de Salto chegou a encaminhar ao governo um estudo sobre os riscos do dinheiro de plástico. Segundo Giordani, a importação de 250 milhões de cédulas representa um risco para a Indústria de Papel de Salto, pois o volume equivale a 30% da produção anual da empresa, que emprega 350 trabalhadores.
O representante da Securency contesta as críticas e garante que o dinheiro de plástico representa uma economia para o País. Citando informações do próprio Banco Central, ele explica que o polímero custa 58,84% mais caro que o papel moeda convencional, mas a durabilidade é quatro vezes maior. Com isso, o lançamento das cédulas comemorativas ao descobrimento devem representar economia de R$ 46 milhões ao longo da vída útil das cédulas.
Detoie desmente a acusação de que o dinheiro de plástico oferece risco maior de falsificação: "Utilizamos os mesmos elementos de segurança do dinheiro convencional, como marca dágua e tarja magnética, e ainda alguns adicionais, como o alto revevo", comenta o executivo. "Nossa tecnologia não é totalmente imune a fraudes, mas é a mais segura."
Em relação às falsificações mais comuns, com o uso de fotocopiadoras e impressoras coloridas, a cédula de polímero representa segurança total, segundo Detoie. "Temos um compromisso com o Banco Central de atuar em conjunto para compaber qualquer tipo de fraude."


