Washington, 20 (AE) - Países que têm acesso ao mercado de capitais privados, como Brasil e China, devem pagar mais pelos créditos do Banco Mundial (Bird) e dos três bancos bancos regionais de desenvolvimento que operam na América Latina, na ásia e na áfrica.
Além disso, suas carteiras de empréstimos nessas instituições devem diminuir gradualmente em volume até que os países se graduem.
Essas propostas estão no centro de um plano de reforma das políticas de financiamento dos bancos multilaterais de desenvolvimento que o secretario do Tesouro dos Estados Unidos, Lawrence Summers, apresentou ontem, em discurso no Conselho de Relações Exteriores, em Nova York.
Summers afirmou que instituições como o Bird o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que estão sob ataque nos Estados Unidos, "são talvez mais importantes do que nunca".
Mas disse que é essencial que os fundos mobilizados por essas instituições sejam usados para promover a maior redução possível da pobreza, preferencialmente em países que não têm acesso a outras fontes de capital e estejam dispostos a executar as reformas necessárias para permitir uma alocação eficaz de recursos.
"A comunidade internacional não pode querer a reforma e a estabilidade mais que o governo e o povo do país (beneficiário)", disse Summers, num alerta às forças que resistem às reformas em países, como o Brasil, onde o acesso aos empréstimos do Bird e do BID é tido por políticos e administradores públicos como uma espécie de direito adquirido.
Em dezembro, o secretário do Tesouro apresentou um plano de reforma das políticas de crédito do Fundo Monetário Internacional, no qual defendeu a adoção de uma estratégia mais voltada para a supervisão macroeconômica dos 182 países membros do FMI.
Pela proposta, as intervenções de socorro do Fundo, no futuro, deveriam ser de curto prazo e limitar-se a países efetivamente empenhados na execução de políticas de estabilização, para protegê-los de efeitos de crises externas fora de seu controle.
Os planos de reforma do Tesouro para o FMI e os bancos multilaterais de crédito ficam muito aquém das propostas radicais apresentadas pela comissão bipartidária constituída pelo Congresso dos Estados Unidos para estudar o papel das instituições financeiras internacionais.
O governo norte-americano rejeitou as recomendações da comissão. Mas o discurso de Summers confirma a preocupação da administração de manter o controle da discussão sobre a reformas do FMI e do Bird, que deve dominar a agenda da reunião semestral das duas instituições.
Presidida pelo economista Allan Meltzer, da Universidade Carnagie Mellon, a comissão do Congresso propôs praticamente o fechamento do Bird e a transferência de suas atividades para os bancos regionais, além da redução das ações do FMI à concessão de empréstimos de emergência de curto prazo a países em crise de balanço de pagamento, segundo critérios que excluiriam o Brasil e teriam impedido, por exemplo, o pacote de US$ 41,5 bilhões que o País obteve em 98.

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