Brasil pode ser destaque na reversão da mudança climática
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de setembro de 2002
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Rafaelo Balbinot: evento visa a alertar sobre a problemática da fixação do carbono
Curitiba - O Brasil poderá assumir uma posição privilegiada junto a países que buscam reverter o processo de mudança climática global. Tanto do ponto de vista das reduções de emissões de gases (evitando queimadas) como em projetos de sequestro de carbono, investindo em reflorestamento. Para discutir mecanismos para que o País se destaque na área, bem como as contrapartidas econômicas de investimento no setor, cerca de 250 profissionais e empresários participam do 1º Simpósio Latino Americano sobre Fixação de Carbono e Ecossistemas Florestais.
O evento se encerra hoje e está sendo realizado no Centro de Ciências Florestais e da Madeira da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O engenheiro florestal e coordenador do simpósio, Rafaelo Balbinot, explica que o principal objetivo do evento é alertar empresas que tenham florestas sobre a problemática da fixação do carbono.
A fixação do carbono, também chamada de sequestro de carbono, é a captura de gás da atmosfera pela fotossíntese. Para que o efeito seja compensado no mundo, países que não têm condições geográficas de promover o sequestro, pagam para que outros países o façam. Os Estados Unidos são o primeiro no ranking dos maiores responsáveis pelas emissões de gás carbônico, segundo o relatório ''As Florestas e o Carbono'', publicado pela UFPR.
Para apontar perspectivas técnicas, científicas e econômicas para os setores florestal e ambiental, o simpósio apresenta, em dois dias, 20 palestras sobre o tema. O consultor do Núcleo de Mudanças Climáticas da Secretaria de Qualidade Ambiental nos Assentamentos Humanos do Ministério do Meio Ambiente, Leonardo da Silva Ribeiro, mostrou as recentes ações do Ministério do Meio Ambiente na área de mudanças climáticas.
Uma das inovações propostas pelo ministério este ano, conforme salientou Ribeiro, foi um edital que contemplou 13 projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e financiou a implementação de um dos inúmeros projetos inscritos. Incorporado ao Protocolo de Kyoto a partir de uma proposta brasileira, o MDL consiste no financiamento de projetos que possam gerar ''reduções certificadas de emissão''.


