Brasília, 15 (AE) - O Brasil deverá receber entre US$ 25 bilhões e US$ 26 bilhões em investimentos diretos no próximo ano
avalia o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier. Há três meses o governo divulgou uma estimativa prevendo investimentos de US$ 22 bilhões. Mesmo com o aumento, segundo Bier, as indicações atuais são de que os investimentos no ano 2000 deverão ficar US$ 1 bilhão abaixo do total de 1999.
De acordo com o secretário, para este ano são esperados entre US$ 26 bilhões e US$ 27 bilhões, total que também supera estimativas recentes, que previam US$ 25 bilhões. Segundo Bier, a maior entrada de recursos de longo prazo será consequência da melhoria da avaliação por parte dos investidores em relação aos países emergentes. Ele disse que, passados alguns problemas do fim do ano, como o bug do milênio e os processos eleitorais na América Latina, "o novo processo decisório sobre investimentos tem tudo para beneficiar o Brasil".
Ativos baratos - Outro aspecto destacado por Bier é o fato de os ativos no Brasil ainda estarem baratos. "Estão subavaliados", disse, o que atrai mais capital para o País. Os investimentos diretos são recursos de longo prazo que têm sido destinados à compra de empresas públicas e à aquisição de participação em empresas privadas. Entre os setores que mais têm atraído esse capital para o Brasil estão os de serviços e financeiro.
Diferentemente do que o País tem vivido desde 1997, o cenário traçado por Bier para 2000 prevê um Brasil sem problemas na área externa. Analistas de mercado concordam com o secretário
mas destacam que a tranquilidade no que se refere à área externa vai depender do desempenho interno.
Para o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, as previsões para próximo ano são "razoavelmente tranquilas". Mas ele acredita que, para o País continuar sendo atrativo não pode decepcionar os investidores internacionais mais uma vez em relação ao ajuste fiscal.
Segundo Loyola, depois da crise da ásia, quando foi elaborado o Pacote 51, o mercado internacional foi surpreendido pelo Brasil, que não adotou a maior parte das medidas.
Reformas - No momento, o temor do ex-presidente do BC refere-se à aprovação das reformas no Congresso, que tem demorado. Ele concorda que "lá fora a percepção sobre o Brasil melhorou muito", mas destaca que "o regime fiscal não dá conforto" e, por isso, "a tranquilidade externa está sempre sujeita a chuvas e trovoadas".
Na avaliação de Odair Abate, economista-chefe do Lloyds Bank, as melhores perspectivas do Brasil no cenário externo vão depender da "capacidade de captar recursos e não afugentar" os que já estão aqui. Para ele, essa capacidade depende de um casamento: quadro interno melhor e gerenciamento adequado da inflação, apesar das eleições em novembro. Esse controle será sensível, uma vez que o País vive uma fase de transição - está saindo de uma desaceleração para a aceleração da atividade econômica. "A preocupação é quanto vai andar a inflação nessa fase de transição", disse.
Abate diz que o risco para o Brasil este ano vem de dentro. Sobre isso, no entanto, Bier diz não ter nenhuma preocupação. Ele atribui o crescimento da inflação a aspectos pontuais e afirma que, ao longo do próximo ano, o Brasil crescerá sem provocar impactos inflacionários. Em relação às eleições, um risco potencial para os dois economistas, o secretário-executivo da Fazenda chega a ser irônico: "Se fosse assim, a cada dois anos o Brasil viveria um ano de risco".

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