Brasília, 08 (AE) O Brasil poderá receber até 20 famílias ou cerca de 100 refugiados kosovares, caso se agrave o conflito político e militar na Iugoslávia.
"A vinda dessas pessoas pode acontecer a qualquer momento, dependendo da evolução da crise", informou hoje (08) o representante de países da América do Sul no Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, o brasileiro Guilherme da Cunha.
Hoje, ele discutiu o eventual recebimento de fugitivos de Kosovo pelo Brasil com o conselheiro Paulo Fontoura, da Divisão das Nações Unidas no Itamaraty.
O Alto Comissariado é um orgão humanitário das Nações Unidas voltado para a proteção dos quase 24 milhões de refugiados no mundo. A maior preocupação da instituição, atualmente, é garantir o atendimento básico (saneamento, assistência médica e comida) e o "asilo temporal" para as vítimas do conflito em Kosovo.
Na quarta-feira, o ministro das Relaçoes Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, disse a integrantes da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Câmara que estaria disposto a examinar favoravelmente uma solicitação para receber refugiados.
Hoje, Guilherme da Cunha foi ao Itamaraty agradecer o apoio. Segundo ele, caso o Alto Comissariado avalie a necessidade de aceitar a ajuda brasileira, será assinado um acordo formalizando a vinda dos kosovares.
O governo brasileiro, desde a década de 70, já recebeu 2,5 mil refugiados de 35 nacionalidades, a maioria vinda da áfrica. O custeio do translado dos kosovares ficaria por conta das Nações Unidas e o Brasil colaboraria financeiramente para a manutenção dos asilados temporários, que permaneceriam em solo brasileiro até o fim do conflito em seu País.
Cunha, que reside em Buenos Aires, estava no Brasil em uma visita quando soube da disposição brasileira de apoiar os refugiados de Kosovo. "Não é tão importante o número de pessoas que podem vir para o Brasil, mas o gesto de solidariedade do governo", disse ele, depois da conversa com o conselheiro Fontoura.
O representante do Alto Comissariado voltou a lamentar a não solução pacífica do conflito na Iugoslávia. "A ONU lamenta o fracasso da diplomacia e política, que não levaram a uma solução pacífica", disse ele. "A guerra é um retrocesso." Cunha afirmou que a crise se está agravando e cada vez mais pessoas têm sido afetadas. Desde março do ano passado, quando a crise ficou mais forte na Iugoslávia, quase 1 milhão de pessoas atravessaram fronteiras fugindo ou deslocaram-se dentro de seus territórios.
Apesar de agradecido pelo apoio brasileiro também já manifestado pelo Chile e Argentina o Alto Comissariado das Nações Unidas quer tentar resolver o problema dos refugiados de forma regional. "O ideal seria que ficassem perto de Kosovo e os países vizinhos devem colaborar", defendeu.
Timor O Itamaraty divulgou hoje nota à imprensa manifestando preocupação diante da "evolução recente dos acontecimentos no Timor Leste, em especial a escalada de tensão e violência naquele território". A nota cita os ataques de milícias civis armadas. "O governo brasileiro considera fundamental a retomada de um clima de tranquilidade propício ao encaminhamento pacífico do processo de transição no Timor Leste", informa a nota, solicitando ao governo indonésio a tomada de medidas urgentes para resolver a crise.

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