Brasil pode importar madeira em 2004
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segunda-feira, 20 de outubro de 1997
France Presse 
Arquivo FolhaDéficitPara evitar o pior, seria necessário investir de 200 a 300 milhões de dólares anuais em novos reflorestamentosO Brasil, que possui uma das maiores reservas florestais do mundo, poderá ver-se obrigado a importar madeira a partir do ano de 2004, afirmou ontem em São Paulo, Eduardo Martins, presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O crescimento do consumo nos setores brasileiros de papel e celulose e a escassa replantação de árvores podem provocar este ano uma demanda maior que a oferta, segundo Martins.
Para evitar essa situação, seria necessário investir a partir de agora de 200 a 300 milhões de dólares anuais em novas plantações florestais, acrescenta. Temos uma tecnologia avançada neste setor, e um clima ideal: por isso, se o reflorestamento não for rentável no Brasil, não pode ser em nenhuma parte, explica o presidente do Ibama, órgão ligado ao ministério do Meio Ambiente.
O fim de uma política de incentivos fiscais ao reflorestamento está na origem do problema. Ano passado (1996) foram reflorestados 97.000 hectares, mas para evitar um futuro déficit necessitaríamos plantar anualmente 300.000 hectares, afirma Martins.
O Brasil tem dois tipos de floresta: a nativa, que fornece madeira nobre, e a cultivada, geralmente de utilização industrial. O país tem, especialmente na região amazônica, a maior floresta nativa tropical do mundo: um terço da existente em todo o planeta.
Se somar-se a floresta nativa existente à dos países amazônicos vizinhos (Peru, Colômbia, Bolívia, Venezuela, Guiana), o total equivale a dois terços das reservas mundiais, segundo o presidente do Ibama.
A escassez de florestas plantadas poderá obrigar o País a recorrer aos bosques nativos, especialmente nas zonas onde a madeira é fonte de energia (certas regiões do nordeste brasileiro), temem várias organizações ecologistas.
Existem atualmente no Brasil 4,6 milhões de hectares de florestas plantadas em regime de produção, que geram receitas equivalentes a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, assim como 700.000 empregos diretos e 2 milhões indiretos.


