Brasil pode importar frango para o Canadá
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quinta-feira, 10 de junho de 1999
Por Mariângela Herédia 
Brasília, 11 (AE) - O Brasil deverá firmar um acordo bilateral com o Canadá, na semana que vem, na área de frangos, que deverá resultar numa corrente de comércio favorável ao País em US$ 50 milhões por ano, segundo o diretor executivo da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (ABEF), Cláudio Martins. Ele explicou que pelo acordo o Brasil deverá exportar peito de frango para o Canadá e, em contrapartida, importar coxas de frango daquele País. "Estamos propensos a fazer o acordo porque o valor agregado do peito é três vezes o das coxas de frango", disse Martins.
O volume a ser negociado anualmente é de 20 mil toneladas de cada um dos itens. Para o diretor executivo da ABEF
o acordo com o Canadá "é muito importante" desde que tenha regras bem definidas. "Eles querem uma fonte alternativa para frango processado na produção de nuggets, hambúrgueres". Na semana que vem, Cláudio Martins participará da missão chefiada pelo ministro da Agricultura, Francisco Turra, que visitará o Canadá do dia 14 ao dia 20, com vários outros empresários. Um dos encontros agendados é com o ministro da Agricultura e da Alimentação do Canadá, Lyle Vanclief. Turra vai pedir que o país reconheça os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina como áreas livres de febre aftosa para ampliar o acesso das carnes brasileiras ao mercado canadense. O ministro também vai conversar com autoridades canadenses sobre a possibilidade de ampliar as exportações de carnes suínas, frangos e frutas.
Vacinas - A venda de vacinas contra febre aftosa cresceu 14% de janeiro a maio, atingindo 108 milhões de doses, apesar das reclamações de aumentos nos preços pelos produtores rurais. Foram comercializadas 13,5 milhões de doses a mais que no mesmo período de 1998 (94,5 milhões de doses), de acordo com levantamento do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), entidade que reúne os laboratórios fabricantes de vacina antiaftosa.
Para o vice-presidente do Sindan, Sebastião Guedes, o resultado das vendas confirma que os criadores estão conscientes da necessidade de vacinar seus rebanhos e que houve desinformação nas questões em torno de preços e abastecimento do mercado. "O bom senso está prevalecendo neste momento em que se busca o reconhecimento de área livre de febre aftosa pelos Estados do chamado circuito pecuário Centro-Oeste", disse. Guedes afirmou ainda que os laboratórios estão trabalhando com preços inferiores à média histórica de US$ 0,42 por dose e que o abastecimento é "absolutamente normal". Segundo ele, tanto o Sindan como as indústrias estão apresentando sua defesa junto à Secretaria de Direito Econômico (SDE) com o objetivo de acabar com quaisquer dúvidas sobre os preços praticados.


