São Paulo, 27 (AE) - Nem queda de 6%, nem inflação de 35%. A revisão das projeções para a economia brasileira este ano apontam a possibilidade de não ocorrer recessão ou de o Produto Interno Bruto (PIB) cair perto de 1%. Com relação à inflação, os números convergem para uma taxa entre 6% e 8% neste ano, considerando o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP.
Esses números são muito diferentes daqueles desenhados em fevereiro. Por quê? Para o ex-secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Roberto Mendonça de Barros, o primeiro semestre deste ano comprovou que o Plano Real foi muito mais que um plano de estabilização. "O comportamento desses meses é resultado da reestruturação do setor produtivo, provocada pelo Real", sustenta.
Mendonça de Barros avalia que os economistas erraram as projeções de inflação porque subestimaram os efeitos da safra agrícola, da reestruturação produtiva e do comportamento do consumidor, que preferiu mudar de marca a comprar o produto mais caro.
Essas situações ajudam a explicar os equívocos sobre o tamanho da recessão. O PIB agrícola cresceu 9% no primeiro trimestre, o setor produtivo agiu rapidamente para substitutir importações e o País já estava em recessão, o que tornou o efeito da desvalorização menos danoso, explica Mendonça de Barros, hoje na MB Associados. Ele não espera mais recessão em 99. O economista Ernest Brown, do Morgan Stanley, reviu sua projeção para alta de 0,1% no PIB.
O economista-chefe do Banco Santander, Dany Rappaport, também diz que a reação dos setores tradicionais da economia brasileira surpreendeu positivamente e concorda que ela foi subestimada nos cálculos de PIB. "As indústrias têxtil, calçadista, química e de autopeças recuperaram produção muito rapidamente", observa. No acumulado do primeiro quadrimestre, os dados de produção industrial do IBGE mostram uma queda de 3 3% na indústria em geral, enquanto alguns desses setores citados já registram crescimento: têxtil (1,6%), alimentos (0,7%), embalagens (4,1%) e farmacêutica (4,7%). Rappaport revisou a previsão do tamanho da recessão de 1,8% para 0,7%.
O economista Roberto Padovani, sócio da Tendências Consultoria Integrada, aponta outra razão importante para a reversão das expectativas negativas do início do ano: a atuação do Banco Central. "A definição de uma nova política econômica foi decisiva", diz, lrelacionando a definição por um câmbio flutuante "sujo" (com alguma intervenção), o acordo com o Fundo Monetário Internacional, os primeiros sinais de uma boa trajetória fiscal e uma política monetária ativa.

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