Brasília, 23 (AE) - O Brasil poderá exportar para Cabo Verde, na áfrica, o Proformação, programa de formação de professores de ensino fundamental (antigo 1.º grau) a distância que está sendo testado em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os primeiros resultados do projeto foram apresentados pelo Ministério da Educação (MEC), no começo do mês, em reunião da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Angola.
"Houve bastante receptividade", diz a coordenadora-geral de Planejamento de Educação a Distância do MEC, Tânia Magalhães Castro, que representou o Brasil no encontro. Segundo ela, Cabo Verde está passando por uma reforma educacional e demonstrou interesse na experiência brasileira. "Eles querem capacitar professores leigos", afirma Tânia, ressalvando, porém, que ainda não há nenhum acordo formal relativo ao Proformação entre os dois países.
O projeto-piloto foi iniciado em fevereiro, em Mato Grosso, com 1.400 professores recebendo treinamento, e em Mato Grosso do Sul, com 200, a maioria mulheres. Todos dão aulas em escolas de 1ª a 4ª série e são considerados leigos por não terem concluído o curso de magistério. No grupo há muitos que não terminaram sequer o ensino fundamental.
O curso está previsto para durar dois anos e é ministrado a distância. Ou seja, os cursistas - como são chamados os professores-alunos - recebem material didático para estudo em casa e participam de encontros quinzenais ou mensais com os coordenadores, quando assistem a vídeos didáticos revisando a matéria. Além disso, são visitados periodicamente por monitores, que acompanham seu desempenho.
Ao final de dois anos os concluintes que forem aprovados (média 6) receberão certificados de magistério. A idéia, a partir do próximo ano, é estender o programa para Goiás, o Norte e o Nordeste. Ao longo deste ano, especialistas do MEC estarão avaliando a eficácia do projeto, de modo a corrigir eventuais problemas antes de iniciar o Proformação em outros Estados.
A iniciativa é financiada pelo Fundo de Fortalecimento da Escola (Fundescola), com recursos do Banco Mundial (US$ 30 milhões). Estados e municípios contribuem com as bolsas para os monitores (R$ 30,00 por cursista atendido) e as despesas com transporte, hospedagem e alimentação dos participantes nos encontros.
Segundo a coordenadora de Programas Especiais do Fundescola, Wilsa Ramos, apenas Rio Grande do Norte e Amapá não estão dispostos a participar do programa a partir do ano 2000, pelo fato de terem poucos professores leigos. No Brasil, segundo ela, há cerca de 100 mil professores leigos atuando. A meta do Proformação, até o fim de 2001, é formar 90 mil professores. "É um objetivo ambicioso", admite Wilsa.
A avaliação da atividade no primeiro semestre, segundo a coordenadora de Programas Especiais do Fundescola, demonstrou que o material didático é bem compreendido e aproveitado por 80% dos cursistas. Foram identificados problemas, no entanto, na distribuição das apostilas e na capacidade dos responsáveis de corrigir esse tipo de falha. "O material demorou muito para chegar a municípios ou escolas distantes", lamentou .

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