Washington, 14 (AE) - O governo brasileiro registrou hoje junto à Securities and Exchange Commission, a CVM dos Estados Unidos, documentação que o habilita a emitir até US$ 3 75 bilhões em papéis no mercado americano. O registro elevou para US$ 5 bilhões o montante total de bônus que o País poderá vender, pois já tinha registro de US$ 1,25 bilhão de dívida ainda não vendida. O documento apresentado à SEC informa que o governo usará o dinheiro que levantar na venda dos papéis para propósitos gerais, que incluem o refinanciamento de dívidas interna e externa.
O registro na SEC é parte dos preparativos formais para a emissão de bônus que o Banco Central deverá fazer ainda este mês para marcar o retorno ao Brasil ao mercado de capitais. O fechamento do mercado para o País, precipitado pela moratória parcial da Rússia em agosto do ano passado, desencadeou a crise de confiança que acabou forçando o governo a entregar os pontos na defesa do real, mudar o regime cambial e desvalorizar a moeda.
A expectativa do mercado é que o Banco Central teste as águas com uma emissão de pelo menos US$ 1 bilhão, mas realize uma venda como um total de papéis vendidos bem superior à oferta inicial. Bancos de investimento tem informado a seus clientes que o papel brasileiro deverá ter prazo de cinco anos e oferecer 6% a 7% de juros acima da remuneração dos títulos do Tesouro dos EUA com a mesma maturação. No momento, o papel americano de cinco anos paga 5,01%. Em sua última emissão de dívida, o BC pagou 4,1% acima do Tesouro. Se essas previsões estiverem corretas, a emissão que marcará a volta do setor público brasileiro ao mercado de capitais custará entre 11% e 12% ao ano
ou cerca de metade da taxa real de juros internos.

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