Buenos Aires, 08 (AE-DOW JONES) - O secretário do Tesouro da Argentina, Pablo Guidotti, disse hoje (08) que a crise brasileira pode reduzir 0,5 ponto percentual do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 1999. "Se considerarmos um cenário muito negativo com relação ao declínio na demanda para os produtos argentinos, o impacto na economia seria muito pequeno", disse Guidotti em entrevista à agência de notícias Diarios y Noticias, publicada pelo jornal Clarín.
"O declínio seria de menos de meio ponto no PIB no cenário de crescimento na Argentina", afirmou. "Nós ainda exportamos pouco, menos de 10% do PIB, e apenas uma parte vai para o Brasil. Quando fazemos os cálculos, chegamos à conclusão que, embora muitos setores que vendem para o Brasil possam sofrer, o impacto sobre a economia, no geral, será muito pequeno". O Ministério da Economia reiterou recentemente que o PIB argentino deve crescer cerca de 3% em 1999.
Em outra entrevista publicada no jornal financeiro El Cronista, Guidotti reiterou que a Argentina vai recorrer a salvaguardas para proteger alguns setores que sofrerão o impacto da crise brasileira. Ele insistiu que o governo terá de agir com prudência para antecipar os efeitos da crise, embora ressaltasse que a monitoração de bens representando 25% das importações da Argentina ainda não mostraram um aumento de entrada de produtos brasileiros.
"Estas importações mostram um declínio importante do Brasil", disse.
Ele descartou um corte amplo de impostos como uma medida de lidar com a crise, insistindo que Wall Street provavelmente reagiria negativamente. "Seria interpretado como um suicídio para a Argentina", afirmou. "Nos mercados de capitais, estas políticas não caem bem e a Argentina depende dos mercados de capitais".

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