São Paulo, 27 (AE) - O Brasil poderá crescer de 7% a 8% ao ano se realizar reforma fiscal e avançar nas reformas previdenciária e administrativa. A avaliação foi feita hoje pelo ex-ministro das Finanças da Argentina, Domingo Cavallo. Segundo ele, as mudanças são necessárias para a redução da inflação e das taxas de juros - fatores essenciais para ganho de competitividade e retomada dos investimentos. Na sua avaliação, o ritmo lento das reformas no Brasil foi responsável pelo crescimento limitado do País, de cerca de 3,5% ao ano nos últimos tempos - menos que a taxa de 6% registrada na Argentina e no Chile.
Ele criticou o debate no País entre monetaristas e desenvolvimentistas. "Esta é uma discussão incorreta", diz. "Não existe desenvolvimento sustentável com inflação e juros altos", diz. E deixa implícito: não há combate à inflação sem aperto fiscal. "Acredito que o Brasil tem futuro porque o povo quer a estabilidade", diz. "Vejo com otimismo o futuro do Mercosul porque vejo com otimismo o futuro do Brasil", acrescentou. Apesar de acreditar no bloco, ele pondera que a integração industrial entre os países da região só será possível com a criação de uma moeda única.

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